Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Proteção para quem?

Sociedade

Rio de Janeiro

Proteção para quem?

por Rodrigo Martins publicado 11/11/2011 10h48, última modificação 11/11/2011 10h53
Enquanto o governo carioca comemora a prisão do traficante Nem, os moradores do Alemão, ocupado há um ano, sentem-se acuados pelos militares

 

Os militares tramavam alguma operação para aquela noite. Foi o que concluiu um grupo de jovens visivelmente inquietos diante das manobras de dois jipes apinhados de homens armados. As roupas camufladas, os coletes balísticos e os fuzis a tiracolo tornaram-se habituais no cenário do Complexo do Alemão, ocupado há um ano pelas “forças de pacificação”. Horas antes, espalhou-se, porém, o boato de que policiais do Bope entrariam na favela disfarçados de soldados do Exército. “Não viu Tropa de Elite, não? Aquilo ali é faca na caveira, paulista. Milico não segura o fuzil dessa forma”, comenta um rapaz, ao criticar a displicência dos militares no manuseio do parafal 7,62 milímetros. “Eles deixam o fuzil recaído sobre o colo, para descansar o braço. Quem é do Bope jamais deixa de empunhar a arma. Certeza que eles vão atacar.”

A belicosa previsão não se confirma. Os soldados logo se dispersam. E a noite avança tranquila em meio aos goles de cerveja no Largo da Vivi, talvez a única opção de distração disponível para quem mora no Morro da Alvorada, uma das 13 favelas do complexo, onde vivem ao menos 65 mil habitantes da zona norte do Rio de Janeiro. De repente, uma aglomeração se forma em torno da tevê de um bar. Todos guardam silêncio, olhos vidrados na tela. Em instantes, gritam em comemoração. Efusiva. “Saiu um gol do Vasco?”, indaga um desavisado. “Não, prenderam o Coelho e o Nem. A casa caiu pra eles.” Líderes do tráfico na Rocinha, favela da zona sul carioca, ambos pertencem a uma facção criminosa rival do Comando Vermelho, que dominava o Complexo do Alemão e continua a operar algumas bocas de fumo na comunidade.

A Rocinha será a próxima favela a ser ocupada por uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Antes da prisão de Nem, o governo fluminense temia o confronto e tratou de solicitar ao Ministério da Defesa o envio de fuzileiros navais e blindados da Marinha para dar suporte à intervenção, prevista para o domingo 13. Após o êxito da operação que frustrou a fuga de Nem, descoberto no porta-malas de um carro e escoltado por policiais da banda podre, talvez não seja necessário mobilizar tamanho aparato. Tampouco convocar 3 mil homens
das Forças Armadas e das polícias, como ocorreu em novembro do ano passado, na ocupação do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. À época, a opinião pública aplaudiu a reconquista dos territórios, ocorrida poucas semanas após uma série de ataques em ônibus atribuídos ao Comando Vermelho.

Leia matéria completa na Edição 672 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 11

registrado em: ,