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Prosa hipocondríaca

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 15/05/2009 16h00, última modificação 21/09/2010 16h02
A notícia da gripe suína, ou gripe A, ou N1H1, ou mexicana, assustou todo mundo. Nem sabemos se é possível usar o pretérito porque os vírus dessa influenza, como os demais, são uns mutatis mutantis, só que mais abusados e doidões, se é possível fazer gracinha com os, até agora, indomáveis.

A notícia da gripe suína, ou gripe A, ou N1H1, ou mexicana, assustou todo mundo. Nem sabemos se é possível usar o pretérito porque os vírus dessa influenza, como os demais, são uns mutatis mutantis, só que mais abusados e doidões, se é possível fazer gracinha com os, até agora, indomáveis. Que remédio? Sem exageros, mas atention please para snifs, cof-cofs e atchins suspeitos. Muitos olhares de soslaio são lançados nos espaços cariocas diante da emissão de alguns deles. Vade-retro, criaturas suspeitas.

Água e sabão e gel desinfetante? Esses, por enquanto, são os melhores preventivos para a tal influenza, inclusive para nosotros, habitantes deste canto do planeta, que gozamos da felicidade de não estar no centro do mundo. Mas nosso Santos-Dumont, o Pai da Aviação, inventou o avião que é o pai da globalização. Já pensou nisso?

A discussão midiática sobre o que é alarde e o que é prestação de serviço, com relação à pauta N1H1 mobilizou opiniões e a pulga foi parar atrás da orelha. Uns, acham o noticiário (que, aliás, deu uma acalmada) uma sandice só. Pânico dispensável. Outros, ante a amainada de informações, estão com o desconfiômetro em stand by. A fronteira entre essas duas frentes é um fio de navalha, principalmente para os que se sentem ameaçados por um torcicolo. Qual é, enfim, a realidade dos fatos?

Por exemplo, se você nunca percebeu que a esteticista usava máscara para fazer sua sobrancelha, é sinal de que ela está se defendendo de uma possível contaminação, mas também de que já deveria estar fazendo isso desde sempre, para não trocar vírus respiratórios de nenhuma cepa.

Se o amigo lhe deu uma cotovelada carinhosa nas costelas em vez de lhe estender a mão, ou não lhe tascou dois beijinhos, é sinal de que ou está ficando gripado ou está cabreiro com esse seu funga-funga, outrora uma charmosa rinite (ou sinal de inaladas, digamos, consideradas ilegais). Os carentes, por sua vez, devem baixar a guarda em suas cobranças de afeto.

Nesse terreno, entende-se o significado da expressão “gosto de corrimão de ministério na boca”, um chiste para a própria ressaca, usado por alguns velhos jornalistas pinguços, rememorando o tempo em que os ministérios tinham frequentadas balaustradas e outras coisas que, neste momento, não veem ao caso.

Ocorre que o diabo do corrimão, indispensável para velhos, moços, crianças e bebuns, é talvez o lugar onde mais se passa a mão. Sabe-se lá onde estiveram. Isso vale também para balaústres vários, nos ônibus, trens suburbanos, metrôs, maçanetas (as piores são as dos banheiros públicos) e outros.

Lembremos disso, hipocondríacos ou não, para aprender a viver nesses tempos tão arriscados.

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Leitãozinho prevenido

Por falar nisso, circula pela internet, por e-mails e por mensagens trocadas no Facebook, a molecagem carioca do momento com a logomarca da churrascaria dos famosos do Rio, o Porcão. Tascaram uma máscara “antigripe” no simpático suíno de black-tie que serve de logotipo para o restaurante.

Os porquinhos sempre foram ícones de empresas nativas, como a Casas da Banha, famosa rede de supermercados, que chegou a ter mais de 200 lojas e 18 mil empregados. O seu jingle na tevê ficou famoso.

Cantado pelo palhaço Carequinha, era de grande empatia. Mostrava dois porquinhos elegantes dançando o chá-chá-chá. “Todo mundo” sabia a letra de cor: Vou dançar o chá-chá-chá/Casas da Banha/ Alegria vem de lá/ Casas da Banha/ Também vou aproveitar/ Casas da Banha/ É lá que eu quero comprar/ É lá que eu quero comprar/ CB, muito mais você, chá-chá-chá.