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Diretor de sócia da Fifa é preso por venda ilegal de ingressos

por AFP — publicado 08/07/2014 10h17
Raymond Whelan, da Match, única empresa autorizada a vender pacotes de ingressos na Copa do Mundo, é acusado de liderar um esquema de venda ilegal de entradas pro mundial
Yasuyoshi Chiba/AFP
Fifa-ingressos

A rede operava desde 2002 e revendia a cerca de mil euros cada ingresso de cortesia nas tribunas VIP dos estádios da Copa

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na segunda-feira 7 Raymond Whelan, diretor da Match, única empresa autorizada pela Fifa a vender pacotes de ingressos e camarotes da Copa do Mundo.

Whelan é acusado de comandar um esquema de venda ilegal de entradas. "Ray Whelan, um diretor da Match, foi preso" no hotel Copacabana Palace, onde estava hospedado, declarou à AFP um porta-voz da Polícia Civil. O porta-voz não informou a nacionalidade de Whelan, mas, segundo diferentes jornais, trata-se de um cidadão britânico de 64 anos. Whelan foi transferido para uma delegacia perto do Maracanã, onde era esperado por dois advogados.

A polícia acredita que o diretor da Match está acima do franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, um dos 11 presos na semana passada em uma operação para desmantelar o esquema. Conversas telefônicas entre Fofana e Whelan foram interceptadas pela polícia, com autorização da Justiça, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo.

A rede, que operava desde 2002, revendia a cerca de mil euros cada ingresso de cortesia nas tribunas VIP dos estádios da Copa, destinados originalmente a ONGs, patrocinadores e familiares dos jogadores, explicou a polícia na semana passada.

Fofana conseguir revender ilegalmente cerca de mil ingressos por jogo, com a ajuda de agências de viagem e de seus altos contatos no mundo do futebol.

O site de notícias G1 informou que a polícia apreendeu, no quarto de hotel onde Whelan estava hospedado, 82 entradas para a Copa, 1,3 mil dólares, um computador e um celular. Os dois equipamentos serão submetidos a perícia.

A Justiça garante que o grupo atuava há quatro Mundiais, ou seja, desde 2002. Segundo o jornal O Dia, a rede teria conseguido cerca de 95 milhões de dólares.

No início da investigação, a polícia acreditava que Lamine Fofana trabalhava na Fifa e era o líder da rede, mas logo percebeu que ele não pertencia à entidade e "havia alguém acima dele na Fifa, com um intermediário na Match Hospitality", declarou nesta quinta-feira o delegado Fábio Barucke, em coletiva de imprensa.

Nenhum funcionário da Fifa foi preso até o momento na operação policial "Jules Rimet". "Temos indícios de que pelo menos uma pessoa da Fifa repassava entradas para a Match", insistiu Barucke na semana passada. A polícia pediu a colaboração da Fifa para escanear e identificar as entradas apreendidas.

O promotor Marcos Kac disse que também está sendo investigado o papel de várias federações de futebol, sobretudo, as de Argentina, Espanha e Brasil, na eventual revenda de ingressos de cortesia por essa rede.

Consultadas pela AFP, as três federações não comentaram o assunto. Um dos acionistas da Match é a empresa Infront Sports and Media, dirigida por Philippe Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Com sede na Suíça, a Infront é proprietária da HBS, que tem a exclusividade dos direitos de transmissão. Joseph Blatter negou estar a par da operação. "Não sei nada disso", disse o presidente da Fifa ao "Estadão", ao ser consultado sobre a operação policial. "E não me ocupo de ingressos. Eu me ocupo da política", declarou.

Publicado originalmente na AFP.

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