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Sociedade

Igualdade Racial

Educar inclui categoria gênero para compensar ausência de debate nas escolas

por Djamila Ribeiro publicado 09/10/2015 13h14, última modificação 09/10/2015 13h28
Objetivo é premiar iniciativas pedagógicas que tragam a memória de mulheres africanas e indígenas e ressignifiquem sua representação
Reprodução/Ceert/Facebook

O “Prêmio Educar para a Igualdade Racial", promovido pelo CEERT, acontece na quinta-feira 15 de outubro no SESC Belenzinho em São Paulo. Nesta edição do evento, que existe desde 2002 para premiar iniciativas pedagógicas que visem a promoção da igualdade racial nas escolas, a categoria gênero foi inserida por conta da ausência desse debate nas escolas.

Giselle dos Santos, consultora da aérea de educação da entidade e responsável pela inclusão da categoria gênero no Prêmio, diz que isso foi necessário por haver uma carência desse debate por um viés interseccional, ou seja, ou se discute raça por um viés masculino, ou gênero, dando visibilidade à mulher branca.

“O recorte é necessário, essa categoria mulher universal, abstrata, impõe uma primazia da significação do ser mulher e tem negado nossa condição de mulher negra. Com essa inclusão, queríamos privilegiar práticas pedagógicas que tragam especialmente a memória de mulheres africanas e indígenas e que pudessem ressignificar a representação desse grupo de mulheres”, diz.

O prêmio surge em 2002, um ano antes da lei 10.639 (que obriga o ensino da história africana a afrobrasileiras na escola) porque a história contada nas escolas revelava a imposição de ícones da formação do Brasil somente brancos o que fazia com que os alunos negros não conseguissem se reconhecer.

Segundo Giselle, o Prêmio ajudou na conscientização dos educadores. Mesmo assim, as propostas recebidas utilizavam majoritariamente referências masculinas. “O desafio é ter o olhar interseccional. Existia um entendimento de que mesmo que não houvesse um grande número de inscrições de práticas com o viés interseccional, o prêmio ajudaria a fomentar essa discussão”, finaliza Giselle.

Foram premiados educadores e escolas nas categorias: processo universal – categoria professor e categoria escola (duas escolas premiadas); Processo afirmativo – educação escolar quilombola  e categoria escola e categoria gênero e raça.

Nesta edição, o ‘Educar para a Igualdade Racial e de Gênero’ recebeu 643 inscrições de todo o Brasil. Desses, 14 são vencedores. Além da doação em dinheiro, notebooks e kits de livros, os selecionados participaram de curso de formação em parceria com o SESC nos dias 13,14 e 15 de outubro de 2015. O curso também será aberto para quem não participou do Prêmio, mas com vagas limitadas. Quem tiver interesse, acessar e preencher o formulário de inscrição: 

No dia 15 de outubro será a entrega dos prêmios seguida por show da cantora Ellén Oléria.