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Análise

'Precisamos do Bolsa Família por pelo menos mais uma década'

por Marcelo Pellegrini — publicado 23/02/2012 00h20, última modificação 23/02/2012 09h19
Para economista, com a taxa de crescimento, o País ainda vai precisar de 10 a 15 anos de programas assistenciais para eliminar a pobreza
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residente Lula participa da comemoração dos 7 anos do Programa Bolsa Família e lançamento da nova versão do Cadastro Único dos Programas Sociais em dezembro de 2010. Foto: Agência Brasil

Com os atuais ritmos de crescimento e investimentos em programas assistenciais, o Brasil levará de dez a 15 anos para eliminar a pobreza do País. Com o cenário atual, a principal bandeira do governo Dilma Rousseff corre o risco de não ser cumprida antes de 2014. É o que afirma o consultor do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (ONU) e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Fernandes Goncalves da Silva, em entrevista a Carta Capital.

"Se mativermos esta taxa medíocre de crecimento (de 3 a 4% ao ano), estimamos que os programas assistenciais ainda devam perdurar de 10 a 15 anos para que as classes D e E ascendam para a classe média", afirma.

A avaliação de Silva foi feita após o anúncio da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, sobre a queda do número de concessões de benefícios sociais, como o Bolsa Família.

Segundo a ministra, a queda pode ser um indício de que as famílias beneficiadas por programas sociais estão começando a deixar de receber os benefícios por causa do aumento da renda. Para o orçamento de 2012, o governo reduziu de 29,9 bilhões de reais para 28,4 bilhões , os recursos para esses programas.

No entanto, ainda é cedo para afirmar que os programas tidos como "temporários", de fato, estão funcionando de maneira perene. Para Silva, o dado anunciado pela ministra não tem muito impacto porque a expansão de programas como o Bolsa Família foi muito grande nestes nove anos.

"O programa não tem mais para onde crescer. Além disso, o Brasil vive um bom momento econômico, está com uma taxa de desemprego baixa e carente de mão de obra, fatores que contribuem para o aumento da renda dessas famílias", avalia.

Porta de Saída
Para criar meios para a capacitação profissional dos atuais beneficários dos programas assistenciais, o Governo Federal iniciou uma série de parcerias com empresas privadas, como o Sebrae e a Odebrecht  por exemplo.

Com o objetivo de criar empregos, incentivar o empreendedorismo e oferecer microcrédito, as iniciativas de "porta de saída" ainda são casos isolados e estão longe de se tornar uma realidade consolidada. "Os recursos para essas iniciativas não sofreram os cortes do orçamento deste ano, mas ainda não vimos o plano sair do papel efetivamente", diz o economista.

 

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