Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Polícia ocupa favelas do Rio de Janeiro para iniciar pacificação

Sociedade

UPP´s

Polícia ocupa favelas do Rio de Janeiro para iniciar pacificação

por AFP — publicado 14/10/2012 11h44, última modificação 06/06/2015 18h42
Forças policiais ocuparam o complexo de favelas de Manguinhos, um dos mais violentos da cidade, e intensificou a presença no Jacarezinho, centro de consumo de crack da capital fluminense
upp pacificacao manguinhos policia

Policiais durante operação em Manguinhos no mês de julho. Foto: ©AFP / Antonio Scorza.

A polícia do Rio de Janeiro ocupou na manhã deste domingo o complexo de favelas de Manguinhos, um dos mais violentos da cidade, e intensificou a presença no Jacarezinho, um dos maiores centros de consumo de crack da capital fluminense.

A operação é parte dos esforços das autoridades para recuperar o controle das favelas mais perigosas da cidade e para melhorar a segurança antes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

A megaoperação teve início pouco antes das 5h00 com a passagem de 13 blindados da Marinha que abriram caminho pelas ruas estreitas de quatro favelas em Manguinhos, onde foi concentrada a força militar.

"A situação é de absoluta tranquilidade, não há incidentes. Mas estamos preparados para qualquer cenário", disse o coronel Federico Caldas, relações públicas da Polícia Militar (PM) do Rio.

Ninguém foi detido na operação.

"Agora segue um processo meticuloso de busca de drogas, de armas e a prisão de criminosos", completou.

Em Manguinhos será instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) com agentes treinados especialmente para enfrentar os problemas da comunidade.

No Jacarezinho, área afetada pelo grande consumo de crack, a Polícia Civil intensificou a presença, mas não houve ocupação.

"A Polícia Militar precisa de mais tempo para ocupar esta área. O que vamos fazer é ter uma presença constante. As operações que já fazíamos serão intensificadas", disse Fernando Veloso, subchefe de Polícia Civil, ao canal Globo News.

A megaoperação contou com a participação de 170 fuzileiros navais, que operaram os blindados que superaram sem dificuldades as barreiras deixadas pelos traficantes nas vias, e 1.300 oficiais da polícia, dos quais 800 entraram nas comunidades.

Os outros 500 patrulhavam o perímetro, enquanto outras equipes foram enviadas a outras favelas para buscar traficantes.

Helicópteros das forças de segurança também sobrevoavam a região.

Os policiais revistaram casas e pedestres. Até o momento, 10 quilos de maconha foram apreendidos.

Alguns moradores acompanhavam das janelas a operação de ocupação.

"Acho que é muito bom, que a paz chegue ao Jacarezinho", disse à AFP Paulo César, de 35 anos, que seguia para a missa.

"A ocupação é maravilhosa, graças a Deus, mas não posso falar muito", disse, cautelosa, a moradora Maria Sílvia.

Muitos moradores das comunidades, no entanto, optaram por não fazer comentários.

A polícia instalou barreiras nas entradas das favelas, que ficam a menos de 10 km do centro do Rio e próximas de importantes vias da cidade. Segundo a Polícia Civil, na noite anterior à ocupação, os crimes caíram 60% em consequência da forte presença policial.

No sábado, oficiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) mataram cinco suspeitos de tráfico, que haviam fugido para outra favela. As operações de busca por outros suspeitos continuam, segundo a polícia.

Jacarezinho e Manguinhos, com 75.000 habitantes, estão entre as favelas mais perigosas do Rio de Janeiro, com uma grande atividade do tráfico de drogas e com criminosos armados em plena luz do dia.

A operação deste domingo incluiu uma equipe municipal de luta contra o crack, que levou quase 70 viciados para abrigos.

Depois da ocupação do Complexo do Alemão, em 2010, Manguinhos e Jacarezinho viraram o principal reduto de um dos maiores grupos criminosos do Rio.

Com a UPP de Manguinhos, serão 29 as instaladas em favelas de Rio de Janeiro desde 2008, quando teve início a estratégia de ocupação as comunidades para melhorar a segurança antes da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.

No total, 6.770 policiais atuam nas UPPs. O governo espera instalar 40 até 2014.

registrado em: