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Sociedade

Violência policial

PM mata jovem negro por estar em área interditada da escola

por A Ponte — publicado 05/10/2016 12h51
Alvejado por um PM na quadra da Escola Estadual Tancredo Neves, no Grajaú, zona sul de São Paulo, no sábado 1º, o estudante Matheus Freitas, de 24 anos, morreu
A Ponte
Violência policial

Ato em protesto contra a morte do estudante: PM reprimiu manifestantes

Por Kaique Dalapola

O estudante universitário Matheus Freitas, 24 anos, foi baleado por um policial militar na noite de sábado 1º, na quadra da Escola Estadual Tancredo Neves, no Jardim Novo Horizonte, distrito do Grajaú, periferia da zona sul de São Paulo. O jovem foi socorrido e encaminhado para o Hospital Geral do Grajaú, mas morreu na manhã de segunda-feira 3.

Por volta das 22h de sábado, Matheus estava com dois amigos na quadra da escola, que se encontra interditada em função de um incêndio que ocorreu no local, quando, de acordo com um dos jovens, o PM abordou-os dizendo que eles não poderiam estar na quadra e, na sequência, disparou com uma pistola calibre .40, atingindo Matheus, que, com os amigos, tentou correr para fora da escola.

Ferido, o rapaz caiu alguns metros à frente, já do lado de fora da instituição, onde ficou com policiais militares, aguardando a chegada de uma ambulância, mas o socorro demorou cerca de três horas para chegar ao local.

“Estava em uma festa, ouvi uns disparos e depois de uns minutos vieram me chamar. Esperei uns 40 minutos e fui até a escola. Chegando lá o Matheus tava com o peito sangrando. Conversei com os PMs, eu pensei que ele tivesse rasgado no portão, e os policiais em nenhum momento disseram que tinha sido tiro”, conta um amigo do jovem.

O jovem estudava Economia na Universidade Nove de Julho e era faixa preta de jiu-jitsu. Ele passou em processos seletivos e começaria a trabalhar no departamento financeiro do banco Bradesco em janeiro de 2017. “Um menino trabalhador, tranquilo, foi vítima de uma bala que saiu da arma de um marginal, usando farda da Polícia Militar. Despreparado para defender a sociedade como tantos outros por aí, preparados para matar”, desabafou Fernando Alexandre, tio de Matheus, em rede social.

No muro da Escola Tancredo Neves, sobre o nome e data de nascimento de Matheus, a frase “é real, a polícia mata inocente” foi pichada.

Protesto e repressão

Violência policial
Matheus morreu na segunda-feira 4
Após a morte de Matheus no Hospital Geral do Grajaú, parentes e amigos do jovem organizaram um ato que aconteceu na tarde de terça-feira 4, em frente à escola.

A manifestação, em que Matheus foi homenageado com faixas e brados por justiça, começou por volta das 14h e fechou uma mão da Avenida Paulo Guilguer Reimberg. Moradores do bairro que chegavam do trabalho iam direto para a manifestação.

Por volta das 17h, quando o ato já contava com mais de 100 pessoas e os manifestantes fecharam as duas mãos da via, a PM usou bombas de gás e balas de borracha para dispersar o grupo. Três pessoas foram feridas por balas de borracha e, em meio ao tumulto, uma criança e uma mulher passaram mal por causa das bombas de gás.

Outro lado

Questionada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou que “o caso, registrado como Morte Decorrente de Oposição à Intervenção Policial no 101º DP (Jardim das Imbuias), será encaminhado ao DHPP [Delegacia Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoa] para prosseguimento das investigações”, que “o 50º BPM/M instaurou Inquérito Policial Militar para apuração dos fatos” e que o PM que alvejou Matheus “está afastado”.

*Reportagem publicada originalmente no site Ponte

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