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Sociedade

Violência em São Paulo

Pedido para trocar o comando da PM é 'absurdo', diz secretaria

por Redação Carta Capital — publicado 27/07/2012 14h56, última modificação 27/07/2012 14h56
Segundo MPF, cúpula da corporação perdeu o comando das tropas

Em meio à escalada da violência registrada nos últimos meses, o Ministério Público Federal em São Paulo anunciou na quinta-feira 27 que pretende pedir à Justiça a saída do comando da Polícia Militar no estado. Segundo a Procuradoria, a cúpula pda polícia erdeu o controle sobre a tropa. O posicionamento irritou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) que, em nota, contra-atacou: “Estranhamente, o posicionamento do procurador coincide com um momento pré-eleitoral”.

O anúncio do MPF, feito pelo procurador Matheus Baraldi Magnani em uma audiência sobre violência policial, foi considerado “absurdo e capcioso” pela SSP e “totalmente descabido” pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano, inclusive, sugeriu que o MPF cuide das fronteiras do país e não permita a entrada de drogas e armas no estado.

A afirmação de Magnani, no entanto, se baseia em dados do próprio governo paulista. Informações divulgados pela SSP nesta semana mostram que a capital fechou o primeiro semestre do ano com alta de 21,8% nos casos de assassinatos na comparação com o mesmo período de 2011. Ao todo foram 586 casos de homicídios dolosos – com 622 vítimas -, ante 482 do ano passado.  O mês de junho, o mais violento em 18 meses, teve alta de 49% no número de vítimas em relação à mesma época de 2011. No estado, os casos de homicídio no primeiro semestre subiram 8,4% (de 2.183 em 2011 para 2.014) e o número de vítimas, 8,7% (2.123 para 2.309).

A violência contra as mulheres também espanta. Quase dez são assassinadas por mês no estado, segundo levantamento de CartaCapital. Entre setembro de 2011 e junho deste ano, foram 87 homicídios e 228 tentativas de assassinato. Dados significativos para Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria para Mulheres. “Os serviços de delegacias de defesa de São Paulo estão abandonados”, diz a CartaCapital. A partir destes números, como insinuar que a ação do MPF é pré-eleitoral, se o próprio governador afirmou que os meses de junho e julho foram "difíceis" para São Paulo?

Em meio a inúmeros casos de ataques a bases da PM, a policiais e assassinatos, a intenção do MPF surge também na esteira de supostos erros policiais. Na última semana, o publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, foi baleado e morto por PMs no Alto de Pinheiros, assim como um jovem de 19 anos que estava em um carro que furou uma blitz em Santos. Magnani defendeu que casos como fossem trazidos para a esfera federal. Em 2011, uma em cada cinco mortes em SP foi provocada por policiais.

A SSP preferiu, entretanto, ressaltar que o secretário Antonio Ferreira Pinto irá representar contra Magnani na Corregedoria do MPF. Em nota a secretaria disse que quando há erros os policiais são presos e, "após procedimento disciplinar, expulsos". Não explicou, porém, o que tem feito para evitar novos casos.

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