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Sociedade

Violência no campo

Pecuarista é preso acusado de mandar matar agricultor no Pará

por Redação Carta Capital — publicado 02/12/2011 14h10, última modificação 02/12/2011 14h17
Segundo a polícia, Vicente Correa pagou dois pistoleiros para tirarem a vida de Piauí. O motivo foi a ocupação de sua propriedade

Por Luciana Marschall, de Marabá

 

A Polícia Civil de Marabá prendeu na quinta-feira 1º o pecuarista e ex-prefeito de Eldorado do Carajás (PA), Vicente José Correa Neto, de 46 anos, acusado de ser o mandante do assassinato de Valdemar Costa Barbosa de Oliveira, o Piauí, de 25 anos, no dia 25 de agosto. Ele foi preso na Fazenda Califórnia Monte Cristo, localizada a15 kmda cidade de Jacundá (PA). Piauí foi morto ao promover uma ocupação em uma área de propriedade do pecuarista.

Piauí era integrante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Marabá (PA) e no ano passado coordenou a ocupação da fazenda. A área foi desocupada pela Polícia Militar no final do ano passado, mas Piauí passou a ameaçar uma nova ocupação, criando a animosidade com Vicente Correa.

“Temos 300 páginas de inquérito com diversos depoimentos que provam a briga entre o pecuarista e o agricultor. Vicente, inclusive, já havia feito ameaças de morte contra Piauí”, relatou o delegado titular da Delegacia Especializada de Conflitos Agrários (Deca) em Marabá, Victor Costa Lima Leal.

O delegado conseguiu o mandado de prisão preventiva contra Vicente após capturar os dois pistoleiros contratados, Valdenir Lima dos Santos, o Velhinho, de 28 anos e Diego Pereira Marinho, de 19 anos, ocorrida na quarta-feira (30). Os dois vinham sendo investigados também por outras mortes em Marabá.

Logo que foi preso, Diego passou a colaborar com as investigações e forneceu as informações restantes para a prisão de Vicente. O rapaz confessou ter sido contratado para pilotar a moto e, com Velhinho (o atirador), matar Piauí. “Diego contou que foram pagos 3 mil reais para os dois. Ele relatou ainda que logo após o crime foram à um bar em Marabá para comemorar o feito”, destacou o Victor Leal.

O mandante e os pistoleiros armaram um esquema audacioso para executar o crime. Diego e Velhinho fingiram estar interessados em participar da nova ocupação para poderem seguir de perto os passos de Piauí.

No dia do crime, eles estiveram reunidos com a vítima no bairro São Félix e ao final passaram a seguir o agricultor. Uma hora depois fizeram a abordagem em via pública e dispararam os dois tiros que atingiram a cabeça de Piauí.

“Essa investigação vem sendo realizada há quatro meses. Primeiro tentamos efetuar a prisão do mandante, mas como não tínhamos provas suficientes fomos atrás dos executores e chegamos à confissão”, informou o delegado.

A prisão preventiva dos três foi decretada pelo juiz plantonista César Lins, da comarca de Marabá, assim que todos os fatos foram juntados pelos investigadores da Deca.

“Há quatro meses investigávamos o caso do Vicente Correa, só que inicialmente não conseguimos ter materialidade no caso e por isso invertemos a investigação com o intuito de chegar primeiro aos executores”, relatou o policial.

Os três foram autuados pelo crime de homicídio qualificado e estão recolhidos à disposição da Justiça.

“A morte teve um motivo torpe porque os pistoleiros fizeram por dinheiro e o pecuarista, para evitar que suas terras fossem ocupadas. Ao ficar entre a vida e a propriedade, ele optou pela propriedade e por isso será indiciado por homicídio qualificado”, explicou o titular da Deca.

Segundo o superintendente Regional de Polícia Civil do Sudeste do Pará, delegado Alberto Teixeira, foram elucidados todos os casos envolvendo mortes no campo que ocorreram neste ano na região de Marabá.

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