Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Paralisação teve 70% de adesão

Sociedade

Médicos X Convênios

Paralisação teve 70% de adesão

por Redação Carta Capital — publicado 21/09/2011 17h43, última modificação 21/09/2011 17h45
Número foi fornecido por Associação Médica. No Rio, esse número foi de 90% e em São Paulo, quase 80%. Consultórios sentiram mais impacto e hospitais tiveram rotina normal

Seis meses após a primeira paralisação, os médicos voltaram a suspender nesta quarta-feira 21 o atendimento aos pacientes de planos de saúde. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), a adesão no plano nacional ficou entre 70 e 80% dos médicos. No Rio de Janeiro, esse número subiu para 90%, o que representa 10 mil médicos parados.

Em São Paulo, a adesão foi de cerca de 77% , o que significa que 45 mil médicos deixaram de atender pacientes de convênios no estado. Apesar dos números, hospitais de São Paulo não foram afetados pelo movimento. O Hospital Samaritano e Sírio Libanes, por exemplo, não tiveram a rotina alterada em razão do movimento. Segundo a ABM, os consultórios foram os mais atingidos devido ao cancelamento de consultas.

A categoria pede reajuste de pagamento pelos planos de saúde. Em abril, os médicos fizeram um primeiro boicote, quando interromperam o atendimento por um dia a clientes de todos os planos. Desta vez, os planos que não negociaram ou não apresentaram propostas suficientes para atender às reivindicações da categoria são o alvo do protesto.

Os médicos querem o aumento imediato dos honorários, reajuste fixo anual da remuneração e o fim da interferência das empresas em sua autonomia. As associações médicas defendem o valor de R$ 60 por consulta. De acordo com elas, os planos pagam, em média, R$ 40. Segundo a categoria, as mensalidades dos planos foram reajustadas em 150% nos últimos anos. No entanto, as operadoras destinam menos de 20% da arrecadação para a remuneração dos profissionais.

Além disso, a categoria reclama da interferência que os planos fazem no procedimento médico, como rejeitar pedidos de exame e dificultar internações. “Tentam, por exemplo, reduzir a permanência do paciente na UTI [unidade de terapia intensiva]. Evidentemente, todas as vezes que isso acontece há um conflito enorme”, explicou Cid Carvalhaes, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam).

Segundo Desire Callegari, Secretário Conselho Geral de Medicina, muitas vezes o plano desaúde acaba encaminhando casos graves para o Sistema Público de modo indireto. São tantos empecilhos que o paciente recorre ao SUS.

Os profissionais cobram posicionamento e articulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável por regular o setor, para solucionar as divergências entre a categoria e os planos. “O que está colocado em jogo é a assistência a 46 milhões de usuários. O governo tem responsabilidade. Estamos chamando a ANS para a responsabilidade”, disse Aloísio Tibiriça, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). Mas, na visão de Callegari, a Agência Nacional de Saúde tem fechado os olhos em relação à remuneração dos médicos.

José Júlio Seabra Santo, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Sergipe, aponta que na maioria das vezes, a Justiça tem sido a solução para resolver problemas com os planos. Bater às portas do Ministério Público para ser atendido tornou-se uma prática comum em Sergipe, diz ele. Um de seus pacientes, por exemplo, cujo convênio negou a implantação de um marca-passo – aparelho para regular funcionamente do coração recorreu à Justiça e conseguiu que o procedimento fosse realizado via decisão judicial.

Os médicos vão parar o atendimento a, pelo menos, 23 planos de saúde. A estimativa é que os planos afetados tenham de 25 milhões a 35 milhões de usuários, cerca de 76% do total de clientes em todo o país. As negociações com as operadoras foram feitas pelos representantes de cada estado. Por isso, cada unidade da Federação definiu sua própria lista com os planos que serão afetados.

Em nove estados, será suspenso o atendimento a todas as operadoras – no Ceará, Espírito Santo, Maranhão, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, no Paraná, Rio de Janeiro e Tocantins. A lista dos planos que serão alvo da paralisação está disponível no site do CFM, no endereço eletrônicowww.cfm.org.br.

O Amazonas, Roraima e o Rio Grande do Norte ficam fora do protesto porque as negociações com as operadoras estão mais avançadas.

As entidades médicas afirmam não haver impedimento judicial para fazer a paralisação por tempo determinado.

Diante do protesto dos médicos, a Federação Nacional da Saúde Suplementar (Fenasaúde), que representa as 15 maiores operadoras do país, informou, em nota, ter formalizado à ANS uma nova proposta de remuneração. De acordo com a federação, os serviços ofertados pelos planos serão organizados em grupos, conforme a complexidade. Em cada grupo, será definido um valor que valerá para todos procedimentos, nivelado pelo mais alto. Ainda segundo as operadoras, o reajuste das consultas médicas, nos últimos dez anos, ficou acima da variação da inflação no período, que foi de aproximadamente 56%.

Entretanto, as entidades médicas dizem desconhecer a proposta da Fenasaúde. “Essa proposta facilita a conversa. Não tem relação com valores [honorários]”, explicou Jorge Curi, diretor da AMB.

Em nota, a ANS diz que considera legítimas as paralisação dos médicos, desde que não prejudiquem os usuários.

*Com informações da Agência Brasil

registrado em: ,