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Paraísos artificiais

por Cynara Menezes — publicado 25/08/2011 11h02, última modificação 26/08/2011 11h07
Enquanto o Brasil discute a liberação da maconha, a Europa busca formas de lidar com o crescente e variado consumo de substâncias sintetizadas em laboratórios

Na calçada em frente à pequena loja em Lisboa, de manhã bem cedo, o grupo de rapazes e moças vestidos como se ainda não tivessem ido dormir chama a atenção. Dentro da loja, prateleiras com apetrechos para fumar maconha e embalagens coloridas de “incensos” variados também chamam a atenção. Blends (misturas) de ervas para relaxar, dizem os rótulos. Há ainda produtos à base de cogumelos e plantas alucinógenas. Trata-se de uma smartshop, espécie de mercadinho especializado em drogas sintéticas, um negócio que floresce em toda a Europa.

Enquanto o Brasil e a maioria dos paí-ses ocidentais ainda discutem se descriminalizam ou não a maconha, versões sintéticas da planta são vendidas livremente, disfarçadas como “incensos” e “aromatizadores de ambiente” nas smartshops e pela internet. Produzidas em laboratórios clandestinos, as chamadas “drogas de design” emulam os efeitos de substâncias tradicionais, sobretudo cocaína e maconha, adicionando elementos químicos a inofensivas plantas. Nos rótulos, só aparecem nomes de vegetais, como damiana, sálvia, rabo-de-leão ou “folhas de coqueiro”, entre outros. Sempre há a advertência de que não são para consumo humano e que não contêm THC, o princípio ativo da maconha. Trata-se de garantias legais para os próprios distribuidores.

O vendedor lisboeta não diz com todas as palavras, mas quem entra ali sabe que os incensos e aromatizadores são cannabis artificiais. Se o curioso obtiver a cumplicidade do atendente, este perguntará: “Qual o seu objetivo?” E apresentará uma miríade de opções de drogas. “Esta daqui é para relaxar, esta é se você quiser sair para dançar, esta é para ter relações sexuais...” Na porta da loja, um vaso de planta traz a advertência: “Favor não morder o cacto”. Mas as pessoas ficam nesse estado? O vendedor ri. “Não, isso é brincadeira.” As campeãs de venda são o Bloom, uma cocaína sintética vendida como adubo para plantas, e a Fidel Mix e Gorby Mix, maconhas sintéticas com um plus de anfetamina e as caras dos dois líderes comunistas estampadas à Andy Warhol.

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