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Papo de craque

por Igor Carvalho — publicado 20/05/2013 18h00, última modificação 20/05/2013 18h21
A convite de CartaCapital, Juca Kfouri e Washington Olivetto fizeram em SP um debate sobre o livro 'Sócrates, Brasileiro'

A Editora Confiança, em parceria com a livraria Fnac, promoveram, na sexta-feira 17, o projeto “Diálogos Capitais”, com o jornalista Juca Kfouri e o publicitário Washington Olivetto. O mote do encontro foi o livro Sócrates, Brasileiro, lançado em dezembro de 2012, que reúne crônicas do craque brasileiro na revista CartaCapital.

Alguns assuntos pautados por Sócrates em suas colunas serviram de base para que Kfouri e Olivetto falassem sobre o amigo, que faleceu no dia 4 de dezembro de 2012.

Em texto publicado em 2007, Sócrates já perguntava: “Copa pra quem?”, questionando os investimentos para receber o megaevento esportivo no Brasil. “É impressionante isso. Na Copa da França (1998) só se construiu um estádio, o Saint-Denis. Nos EUA (1994), nenhum. No Brasil, estamos construindo vários elefantes brancos”, afirmou Juca Kfouri, que não vê sentindo na construção do Itaquerão. “Temos o Morumbi, em São Paulo, que poderia receber os jogos, mas estamos fazendo outro, para alegria da Odebrecth. Isso dá o tom do que vai ser essa Copa do Mundo por aqui.”

As críticas ao evento da Fifa continuaram. Kfouri lembrou que o campeonato regional do Amazonas recebe, em média, um público de 1.200 pessoas, porém o estado receberá um estádio para 50 mil pessoas. “O Paul McCartney não vai tocar lá, a Madonna também não, nem o U2. Nem a Ivete Sangalo vai passar mais do que uma vez por lá”, ironizou o jornalista.

Assista ao vídeo aqui:

Em outro momento do debate, Olivetto lembrou que Sócrates queria ser um anticandidato à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “O Magro (Sócrates) tinha por hábito abandonar todos os projetos que começava”, afirmou Kfouri, arrancando risos da plateia.

“O Pelé sempre me fez chorar”, disse Sócrates em uma de suas crônicas. Magrão era fã do craque santista. “Ele foi santista na infância por causa do Pelé”, lembrou Olivetto.

“Quando chegou em São Paulo, o Magro era um caipira estudante de medicina. Com o passar do tempo ele começou a criar consciência e questionar, por exemplo, a personalidade do Pelé”, afirmou Juca Kfouri.

Olivetto afirmou ter um vídeo inédito de Sócrates, produzido pouco antes da morte do craque. Kfouri lembra que esteve com o ex-jogador antes de seu falecimento, quando lhe perguntou se ele “havia ligado o foda-se” para a vida.


*Matéria originalmente publicada no SpressoSP