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JMJ

Papa Francisco pede diálogo e reabilitação da política

por Redação — publicado 27/07/2013 14h00, última modificação 28/07/2013 00h02
Ao se referir a protestos que marcaram o mês de junho no País, pontífice disse que momento exige debate construtivo
LUCA ZENNARO - POOL / AFP PHOTO
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Papa Francisco em meio a bispos e seminaristas antes de discurso no Rio de Janeiro

O papa Francisco disse neste sábado 27, em seu discurso no Theatro Municipal, no Rio de Janeiro, que a sociedade é responsável pela formação das novas gerações, nas áreas política e econômica, primando pelos valores éticos. “O futuro exige hoje a tarefa de reabilitar a política, que é uma das formas mais altas da caridade. O futuro nos exige também uma visão humanista da economia e uma política que logre cada vez mais e melhor a participação das pessoas, evite o elitismo e erradique a pobreza. Que a ninguém falte o necessário e se assegure a todos dignidade, fraternidade e solidariedade".

O pontífice disse ainda que o momento exige diálogo construtivo, ao se referir às manifestações que ocorrem desde junho em praticamente todas as cidades do País. "Entre a indiferença egoísta e os protestos violentos sempre há uma opção possível: o diálogo, o diálogo entre as gerações, o diálogo entre o povo e todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce quando suas diversas riquezas culturais dialogam de maneira construtiva."

O encontro reuniu políticos, dirigentes empresariais, personalidades da vida cultural, líderes religiosos e de movimentos sociais e representantes diplomáticos.

Ao citar o pensador católico brasileiro Alceu de Amoroso Lima, o papa disse que "quem tem o papel de responsabilidade em uma nação está chamado a enfrentar o futuro, com o olhar tranquilo de quem sabe ver a verdade".

O papa disse que três aspectos são importantes para uma caminhada calma, serena e sábia: a originalidade de uma tradição cultural, a responsabilidade solidária para construir o futuro e o diálogo construtivo para confrontar o presente.

Com relação ao primeiro aspecto, o pontífice destacou a originalidade dinâmica que caracteriza a cultura brasileira "com sua extraordinária capacidade para integrar elementos diversos". Para Francisco, essa capacidade pode "fecundar um processo cultural fiel à identidade brasileira e, por sua vez, um processo construtor de um futuro melhor para todos, um processo que faça crescer a humanização integral e a cultura do encontro. Essa é a maneira cristã de promover o bem comum, a alegria de viver".

Sobre a responsabilidade social, o papa disse que ela requer um certo tipo de paradigma cultural e político. "Somos responsáveis pela formação das novas gerações, ajudá-las a serem capazes na economia e na política e firmes nos valores éticos. O futuro exige hoje a tarefa de reabilitar a política, que é uma das formas mais altas da caridade”.

Depois de recordar uma passagem bíblica do profeta Amós, Francisco disse que "os gritos que pedem justiça continuam ainda hoje”. “Quem desempenha o papel de guia, aqueles a quem a vida ungiu como guias, têm que ter objetivos concretos e buscar os meios específicos para alcançá-los, porque pode existir o perigo da desilusão, da amargura e da indiferença quando as expectativas não se cumprem".

O papa fez também um apelo à esperança que nos impulsiona a ir sempre mais longe e o emprego de toda a capacidade em favor das pessoas para as quais se trabalha. "A visão ética aparece hoje como um desafio histórico sem precedentes. Temos que buscá-la e inseri-la na sociedade."

Na noite de sábado 27, o papa participou da Vigília de Oração, que reuniu mais de 3 milhões de peregrinos na praia de Copacabana. A informação foi divulgada pela prefeitura durante o percurso do papa, de papamóvel, entre o Forte de Copacabana, no Posto Seis, e o palco central, no Posto Dois, altura da Avenida Princesa Isabel. O evento é o penúltimo do pontífice no Brasil. Na manhã de domingo, ele participa da Missa de Envio, na qual poderá divulgar o local da próxima JMJ, em 2015.

Críticas. Durante seus seis dias de viagem ao Brasil, Francisco pediu para que os jovens conservem a fé na Igreja, apesar dos maus sacerdotes, e nas instituições políticas, apesar da corrupção, depois que grandes manifestações protagonizadas por jovens sacudiram o Brasil nas últimas semanas.

O papa, que assumiu em março substituindo Bento 16, enfrenta o desafio de renovar uma Igreja em crise após escândalos de corrupção e pedofilia. Também precisa seguir conquistando fiéis, embora a Igreja mantenha dogmas, desafiados às vezes pelos jovens, como a oposição ao uso do preservativo, ao divórcio, à homossexualidade, ao aborto até mesmo em casos de estupro e a defesa da virgindade até o casamento.

Devido às chuvas torrenciais que inundaram o Campo da Fé de Guaratiba - onde deveria culminar a peregrinação e ser celebrada a vigília e a missa final da JMJ - os três eventos foram transferidos para a praia de Copacabana.

O assunto constrangeu as autoridades do Rio de Janeiro. A organização da JMJ é considerada um teste antes do Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

Francisco também se reúne neste sábado 27 com políticos, representantes da sociedade civil e da cultura. Depois de almoçar com cardeais e bispos brasileiros, ele passeará de papamóvel pela cidade, em mais uma demonstração da proximidade que busca com os fiéis.

*Com informações da Agência Brasil e da AFP