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Papa Bento XVI renunciará em 28 de fevereiro

por AFP — publicado 11/02/2013 09h06, última modificação 11/02/2013 10h48
"Pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério", afirmou o pontífice

O papa Bento XVI afirmou nesta segunda-feira 11 que renunciará em 28 de fevereiro. O anúncio ocorreu em um discurso em latim durante um consistório (reunião de cardeais) do Vaticano.

"O papa anunciou que renunciará a seu ministério às 20h (16h em Brasília) de 28 de fevereiro. Começará assim um período de 'sede vacante'", afirmou o padre Federico Lombardi, responsável pela comunicação do Vaticano.

Bento XVI explicou que não tem mais forças para dirigir a Igreja Católica por causa da idade, 85 anos. "Depois de ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino", afirmou o papa em latim diante do Consistório do Vaticano, segundo a tradução divulgada pela Santa Sé.

"Sou muito consciente de que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser executado não apenas com obras e palavras, mas também e em não menor grau sofrendo e rezando", completou.

"No mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para governar a barca de são Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que hei de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado", confessou Bento XVI.  Em um livro, o pontífice chegou a escrever ser, para um papa, "um dever" renunciar, caso não consiga mais exercer as funções exigidas para o posto.

Nomes de brasileiros são cotados

Com a renúncia de Bento XVI, um novo conclave deve ser convocado para substituí-lo já em março. Os cardeais de todo o mundo ficarão reunidos no Vaticano até conseguirem eleger um dos candidatos.

Há muitas especulações de que, pela primeira vez, a Igreja Católica poderia ser chefiada por um não-europeu. Entre os nomes cotados estão o dos brasileiros dom Odilo Pedro Scherer, arcebipso de São Paulo, e João Braz de Aviz, do departamento de Congregações Religiosas do Vaticano. O argentino Leonardo Sandri, do departamento de Igrejas Ocidentais, é outro cotado.

  

Também de fora da Europa são cogitados os nomes de Peter Turkson, de Gana, e Luis Tagle, das Filipinas. Entre os europeus, o nome mais forte parece ser o do italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão.

O anúncio de Bento XVI é praticamente sem precedentes na Igreja Católica. Ele se tornará o primeiro papa a renunciar nos últimos 600 anos. O último foi Gregório XII, que deixou o cargo em 1415.

 

Com informações da AFP e DW