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Sociedade

Maria Rita Kehl

Os jovens, como chave para transformação, ou o engravatado do futuro?

por Clara Roman — publicado 03/11/2011 10h04, última modificação 03/11/2011 10h07
A condição da juventude é uma condição muito boa para questionar qualquer status-quo, porque ela não está completamente comprometida

Maria Rita Kehl, sobre a condição da juventude e a transformação:

A condição da juventude é uma condição muito boa para questionar qualquer status-quo, porque ela não está completamente comprometida, com emprego ou posições de poder, justamente por isso tem liberdade de dizer 'corta tudo que está aí'. Por outro lado, o jovem que aos 40 é eleito para um cargo político ou que aos 35 vira economista em um banco, ele não é mais um jovem. Ele pode ser a mesma pessoa, mas perdeu aquela condição de jovem, que lhe permitia projetar outras coisas, arriscar, passar a noite acampado, várias noites acampado. De repente, ele vira um pai de família engravatado.

No século XX e agora no XXI, movimentos populares, como o movimento de 67 e 68 nos Estados Unidos e Europa e os movimentos estudantis contra a ditadura que a gente teve, a condição de jovem denunciou o que estava acontecendo.Mas isso não quer dizer que essa geração que empurrou a coisa para a frente, no momento que ela se institucionaliza, vai manter a mesma força. Por isso que eu digo que a gente tem que pensar nas condições materiais da mudança. Eu conheço um monte de gente, até os líderes de maio de 68 na França que viraram filósofos mais acomodados, ou profissionais que ganham bem: viraram stablishment. O Serra foi da UNE. Por outro lado, a Dilma, que foi presa, torturada, etc, ela não seria representante das mesmas déias da juventude dela, mas manteve o ideário pelo menos de jutiça social e distribuição de renda muito sério. É fiel a ele.

Não é por serem jovens hoje que vai garantir alguma coisa.

 

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