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Os estudantes nas ruas

por Celso Marcondes — publicado 30/03/2009 17h40, última modificação 19/08/2010 17h42
Abro hoje um espaço para avaliar o ensaio de volta às ruas do movimento estudantil

Abro hoje um espaço para avaliar o ensaio de volta às ruas do movimento estudantil. Em algumas regiões, motivado pela crise econômica mundial, que já traz danos reais para a juventude brasileira. Em outras cidades, o que mobiliza são questões específicas do ensino. Já no Rio Grande do Sul, a motivação é a política local e o ensino no estado. O artigo abaixo foi escrito por Rodolfo Mohr, estudante de jornalismo e diretor do DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“Caras Pintadas” sacodem o Rio Grande do Sul
Por Rodolfo Mohr, estudante de jornalismo.
Movimento Romper o Dia! e DCE/UFRGS

“Não preciso nem dizer/Que o governo é inimigo
Mas é muito bom saber/Que o estudante tá unido
Pra fora, pra fora, pra fora/Pra fora, pra fora, pra fora
Pra fora, pra fora, pra fora/Pra fora, governo ladrão!”

Paródia cantada durante o ato do dia 26/03 em Porto Alegre

Essa não foi qualquer semana no Rio Grande do Sul. A partir do lançamento da campanha “Os Caras Pintadas estão de volta - Ella não pode continuar”, no dia 5 de março na Assembléia Legislativa, uma grande expectativa foi gerada no estado. Durante a apresentação da “Carta à Sociedade Gaúcha”, manifesto assinada por mais de 20 entidades estudantis, foi entregue ao presidente da Assembléia Ivar Pavan o “remédio” dos estudantes para a crise do Rio Grande: uma passagem de ônibus para Yeda, na poltrona 45, de Porto Alegre para São Paulo, às 12h30 do dia 26 de março. Nosso desafio era fazer Yeda embarcar em uma viagem sem volta.

A crise política marcada por denúncias de corrupção, divisão da base do governo e ações truculentas “desceu” à terra com as mobilizações estudantis. No dia 25, estudantes de Pelotas protagonizaram um ato com cerca de mil estudantes, sindicalistas e ativistas sociais. Em Santa Maria, no mesmo dia, em torno de 500 estudantes engrossaram as fileiras contra o governo Yeda, avaliado pelo Datafolha semana passada como o mais rejeitado do Brasil.

Dia 26 de março, foi a de Porto Alegre. Mais de 1000 estudantes compareceram ao chamado do “Movimento Romper o Dia!” em conjunto com outros coletivos, grêmios e diretórios acadêmicos. Um ato com a marca dos “Caras Pintadas”. A irreverência estudantil lembrou os tempos do “Fora Collor”. Os estudantes cantaram parabéns a Porto Alegre pelos seus 237 anos. O presente foi entregue em frente ao Palácio Piratini. A queima de um boneco da governadora representou simbolicamente o desejo da maioria dos gaúchos. As principais ruas de acesso ao centro ficada cidade ficaram bloqueadas. Pela primeira vez em muitos anos os populares, os motoristas e os usuários do transporte público aplaudiram os estudantes que fecharam o trânsito.

Junto aos estudantes secundaristas e universitários participaram do ato militantes do PSOL, do PT, do PDT, a presidente da UNE, Lúcia Stumpf. Também estiveram presentes a deputada federal Luciana Genro e presidente estadual do PSOL Roberto Robaina - que juntos ao vereador Pedro Ruas são responsáveis pelas mais graves denúncias sofridas pelo governo Yeda. A mais jovem vereadora da capital, Fernanda Melchionna do PSOL, oriunda do movimento estudantil, marcou sua presença. Não escolhemos nossos aliados nesta caminhada. Todos e todas que desejam uma outra forma de fazer política, que combatem a corrupção e defendem à educação pública são nossos aliados. Por isso, as tentativas de deslegitimação por parte do governo e seus agentes são inócuas, vazias. Representamos hoje a defesa de um outro futuro.

Os 2.500 estudantes que se mobilizaram esta semana deram a largada. Os dias de Yeda frente ao Piratini estão contados se conseguirmos disseminar a vitalidade e a rebeldia da juventude expressa nos Caras Pintadas. Os jovens gaúchos que estiveram nas ruas esta semana são de fato e de direito os herdeiros da geração de 92, conquistaram este reconhecimento nas ruas. O chamado que deixamos é para que o povo gaúcho - o mesmo que apoiou, aplaudiu e incentivou os “Caras Pintadas”- se junte a este rico processo de mobilização, que tome nas próprias mãos, o rumo da sua história. Venceremos.