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Os estudantes e a crise econômica

por Celso Marcondes — publicado 31/03/2009 17h33, última modificação 19/08/2010 17h39
Dando prosseguimento à série iniciada nesta coluna sobre o que chamei ontem de “ensaio de volta às ruas do movimento estudantil”, tenho a satisfação de abrir este espaço para Lúcia Stumpf, presidente da UNE.

Dando prosseguimento  sobre o que chamei ontem de “ensaio de volta às ruas do movimento estudantil”, tenho a satisfação de abrir este espaço para Lúcia Stumpf, presidente da UNE. Ela faz uma avaliação dos primeiros impactos da crise mundial na universidade e convoca os estudantes à mobilização em defesa de suas conquistas. Em particular, faz um chamado para as manifestações marcadas para o dia 15 de abril, por todo o País.

A coluna continua aberta para as colaborações dos estudantes leitores de CartaCapital.

Estudantes nas ruas por mais direitos e contra a crise
Por Lúcia Stumpf, presidente da UNE

Nós jovens, estudantes e trabalhadores, não temos qualquer responsabilidade com essa crise mundial, que é consequência da infinita ganância dos grandes especuladores capitalistas. Afirmamos que essa crise não é nossa e não aceitaremos calados que nos façam pagar seu preço. Sua origem está bem distante de nós, lá pros lados de Wall Street. Ainda assim, já sentimos na pele seus efeitos.

Na Educação, universidades privadas estão diminuindo seus gastos à custa da qualidade. Os tubarões do ensino não aceitam diminuir suas altas taxas de lucro e por isso mesmo não são poucas as instituições que, se aproveitando da crise, estão demitindo em massa professores e funcionários ou mesmo fechando as portas sem oferecer maiores explicações ou qualquer perspectiva aos estudantes.

A Universidade pública corre o risco de ver o seu orçamento cortado pelo contingenciamento de verbas voltadas às áreas sociais. Nas demissões que começam a acontecer, são os mais jovens os primeiros a serem dispensados.
Se a bomba estoura com mais força no colo da juventude, a resposta a ela precisa vir de nossas mãos. Nossa geração não optou pela crise, mas lamentar não é uma opção. Precisamos tomar as ruas, aproveitar a oportunidade que esta crise nos proporciona e sepultar para sempre o projeto neoliberal a partir da queda do muro deles, o Wall Street.

Atendendo a este chamado, a juventude, os estudantes e os trabalhadores saíram em marcha às ruas neste dia 30 de março em todo o país.

Em São Paulo, 20 mil manifestantes tomaram a Avenida Paulista em passeata que parou em frente ao Banco Central, onde exigimos a demissão imediata do presidente Henrique Meirelles, e seguiu pela Avenida Consolação em direção ao centro da cidade.

A manifestação amplificou a voz daqueles que defendem seus direitos e afirmam que não pagaremos o preço desta crise! Não aceitaremos as demissões e cortes do orçamento público nas áreas sociais. E, mais do que isso, queremos fazer deste momento uma oportunidade de avançar as conquistas por direitos.
Nós estudantes reivindicarmos mais investimentos nas áreas sociais e na educação; o direito a meia-entrada sem restrições. Queremos radicalizar a democratização da Universidade brasileira conquistando mais vagas públicas e a expansão das Universidades Federais. Queremos um Plano Nacional de Assistência Estudantil, o fim do vestibular e a aprovação do Projeto de Lei de Reserva de Vagas nas universidades públicas.

Percebendo o crescimento das forças progressistas e de esquerda, os setores conservadores e seu principal partido – a mídia hegemônica – orquestram uma ofensiva contra os movimentos sociais, visando desgastar a luta do povo brasileiro.

Neste cenário de dificuldades, precisamos construir ampla unidade para combater o desemprego e os cortes do orçamento público. Nossa arma é a pressão das ruas.

Uma série de mobilizações são impulsionadas nas Universidades dando fôlego novo ao movimento. A ocupação da reitoria da UnB, as recentes mobilizações contra a corrupção e pelo Fora Yeda no Rio Grande do Sul, a luta em defesa da meia-entrada, as passeatas que tomaram conta das capitais do país neste dia 30 de março são exemplos disso.

Nos manteremos em mobilização crescente rumo à construção do 51º Congresso da UNE convocado para julho deste ano.

Fazemos um chamado aos estudantes brasileiros a sair às ruas novamente no próximo dia 15 de abril quando mais uma vez a juventude levantará a voz para ser ouvida. Não pagaremos por esta crise! Queremos mais conquistas para a educação!