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ONU: Queda da taxa de homicídios despencou em SP, mas ainda é alta no RJ

por Clara Roman — publicado 06/10/2011 19h09, última modificação 08/11/2011 17h47
Estudo publicado pela organização aponta que a redução de homicídios em São Paulo, diferente do Rio de Janeiro, é reflexo de políticas públicas. Pesquisador analisa cenário mais complexo

O primeiro estudo da Organização das Nações Unidas sobre homicídios aponta que o Brasil, com 22,7 casos para cada 100 mil habitantes, é o terceiro país mais violento da América do Sul, atrás apenas da Venezuela e Colômbia. O relatório aponta também para a queda nas taxas de homicídio em São Paulo e Rio de Janeiro, ainda superiores às taxas do resto do país.

Segundo o estudo, em 2001, São Paulo contabilizava 120 homicídios a cada 100 mil habitantes. Em 2009, esse número havia caído para 40. No Rio de Janeiro, no entanto, a queda foi bem menos expressiva. Em 2001, eram cerca de 110 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2009, pouco mais de 90, sob o mesmo referencial. Comparando esses dados, o estudo conclui que São Paulo reduziu esses números por conta da efetividade de políticas de combate ao crime, ao contrário do Rio.

“A notável diferença entre as taxas de homicídio em São Paulo e Rio de Janeiro mostram que políticas de prevenção ao crime podem fazer uma grande diferença em um nível local”, conclui o estudo. Os dados e, mais ainda, a conclusão, não dão conta da realidade complexa da violência nas maiores cidades brasileiras. Marcelo Batista Ney, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência, aponta que as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública, utilizadas pela ONU para compor o relatório, estão sujeitas a diversas interpretações.

Em São Paulo, afirma, houve uma queda de 70% nas taxas de homicídios dolosos e, combinando com esses números, uma redução expressiva das mortes por agressão, contabilizados por agentes de saúde. Esses dados, porém, não abarcam índices que indicam homicídios, mas de menor confiabilidade que o simples “homicídio doloso”. Corpos encontrados já em estado de deterioração e que acabam sem idenficação, por exemplo.

No Rio, essa situação é ainda mais latente. Enquanto, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), houve uma redução de 6,7% de abril desse ano ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, houve um aumento de 33% nos números de cadáveres encontrados. Nery explica que o estado do Rio de Janeiro é o terceiro com maior número de registros de mortes a esclarecer. São casos em que não se consegue esclarecer a causa da morte. “Isso suscita a especulação de que para mostrar estatisticamente que a violência está diminuindo no Rio de Janeiro, o que não é necessariamente verdade, a pessoa está tirando números de homicidio doloso e jogando em mortes a esclarecer”, afirma ele, frisando que nada foi comprovado.

A redução da criminalidade em São Paulo

O relatório da ONU aponta políticas de segurança pública como a razão principal para que os dados tenham diminuído. Mas, segundo Nery, essa não é a única interpretação. O aumento de ONGs nesse período é um dos possíveis motivos para a diminuição na taxa de homicídios dolosos e mortes por agressão no período (2001-2009).

Além disso, a consolidação do crime organizado é apontado como um dos principais fatores para a redução da taxa de mortes. Isso porque, com o estabelecimento do PCC como facção majoritária, houve uma diminuição nos conflitos entre grupos inimigos e uma política de contenção de outros crimes que não o tráfico de drogas e que podem atrair a ação policial.

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