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Ocupar, Resistir e Produzir

por Lucas Conejero — publicado 06/04/2011 10h01, última modificação 30/10/2011 22h48
O Incra empossa novo presidente na mesma semana em que o MST inicia seu Abril Vermelho. Leia a entrevista com o técnico-militante do movimento Daniel Nakabayashi sobre o assunto. A Lucas Conejero

O Incra empossa novo presidente na mesma semana em que o MST inicia seu Abril Vermelho. Leia a entrevista com o técnico-militante do MST Daniel Nakabayashi sobre o assunto. A Lucas Conejero

Na semana passada, o agrônomo Celso Lacerda foi empossado como novo presidente do Incra (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária) e afirmou que décadas de omissão do Estado tiveram comoconsequência a radicalização dos movimentos campesinos no Brasil.

Nesta semana, o MST deu início ao Abril Vermelho, jornada anual de ocupações e marchas em memória dos militantes que tombaram no massacre de Eldorado dos Carajás.

Direto do front

Para comentar os acontecimentos, convidei Daniel Nakabayashi, bacharel em Gestão de Cooperativas pela UFV (Universidade Federal de Viçosa - MG) e técnico-militante do MST no interior de Sergipe.

CC: Como receberam a notícia da nomeação de Lacerda para presidente do INCRA?

Daniel: A notícia foi recebida com entusiasmo pelo quadro dirigente do movimento. Lacerda é funcionário de carreira, mas está muito próximo dos movimentos sociais. Em termos de diálogo e compreensão das reais necessidades da base é um bom nome.

CC: E qual impacto terá nas ações e no cotidiano do MST?

Daniel: É um novo momento para a maioria dos Estados onde o movimento se organiza. As palavras de Lacerda conclamam os movimentos sociais a se profissionalizarem, a criarem suas próprias estruturas cooperativas e associativas para organizar a produção e a comercialização agrícola, captando crédito junto ao Poder Público e propondo projetos de desenvolvimento no setor. Para que o MST cumpra suas principais palavras de ordem - Ocupar, Resistir e Produzir - é necessário que o acúmulo de experiência em organização e mobilização passe para a última palavra: produção.

CC:Cite alguns problemas que impedem o MST de “produzir”?

Daniel:Nos Estados onde o MST organiza a produção e a comercialização agrícola em maior escala - Paraná, Rio Grande do Sul e Sergipe - e tem em seu quadro profissionais capazes de responder aos critérios das fontes financiadoras, podemos citar como um dos principais problemas a burocracia em torno datramitação dos recursos entre os órgãos competentes e o repasse entre as esferas de poder. Um projeto aprovado pode demorar quase um ano para ser liberado ao proponente, principalmente se envolver Governo Federal, Estados e municípios. Outro grande problema é o quadro reduzido de técnicos do INCRA, que anda a passos de tartaruga.

CC:Sabemos que a organização interna do MST é muito complexa. Ou seja, existem diretrizes gerais, mas, metodologicamente, cada estado tem sua própria linha de ação. Gostaria que falasse um pouco sobre isso e sobre o Abril Vermelho deste ano.

Daniel: Temos que ter cautela ao se pronunciar. Seja eu, um técnico-militante, seja um quadro dirigente. A última determinação da direção nacional é que o movimento ocupe todos os espaços de decisão da sociedade, seja pelas estruturas criadas pela burguesia, seja pelo embate e enfrentamento.

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