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O Rei, o peixe e a sereia, 'intende'?

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 01/06/2010 17h24, última modificação 20/09/2010 17h26
Os dois comerciais da Sky HD com Gisele Bundchen, contracenando com Pelé e Romário, são das melhores peças da publicidade às vésperas da Copa – até porque ninguém mais aguenta essas mensagens guerreiras, de atitude, comprometimentos e coisas tais, que cortam o eter...

Os dois comerciais da Sky HD com Gisele Bundchen, contracenando com Pelé e Romário, são das melhores peças da publicidade às vésperas da Copa – até porque ninguém mais aguenta essas mensagens guerreiras, de atitude, comprometimentos e coisas tais, que cortam o eter...

Os três estão perfeitos, atuando na própria pele. A cara de Pelé chamando a top de “garota folgada”, por Gisele ter-lhe dado uma bronca, criticando aquela jogada contra a Tchecoslováquia na Copa de 70 – a em que ele tentou pegar o goleiro Ivo Viktor, que estava adiantado, com um chute do meio do campo -, é gol de placa. Idem para ela fechando o anúncio com um “intende”, que é uma das marcas de Pelé ao falar.
A naturalidade de Romário tratando a top por “peixe”, ao ser igualmente criticado por ela, é um driblaço. E ele balança a rede quando substitui o chiste que o consagrou por “sereia”. Como Gisele, que fecha o comercial com um “baixinho folgado”.

Gisele, que já atuou em algumas boas pontas de Hollywood, mais uma vez dá o seu olé, caricaturando a mulher que tudo entende de futebol e que bota banca até com os deuses.

A Copa e a Net A promoção anunciada pela Net de que, ao adquirir um televisor LCD Samsung, o assinante que aderir ao plano HD (alta definição) terá três meses de mensalidade gratuita é conversa mole para boi dormir. Ao efetuar a compra do aparelho, o vendedor dá ao cliente um número de telefone para que, de posse da nota fiscal, solicite tal promoção.

Ao ouvir que o assinante comprou a TV daquela marca, mas que, para adiantar o processo, já que a Net leva cerca de cinco dias, ou mais, para agendar o serviço, pediu a inclusão no HD pelo telefone da Central Net e, pior, que é assinante antigo, o atendente revela que o direito à promoção foi perdido. No máximo, será possível um abatimento de 50 reais nas três primeiras mensalidades.

Conclusão: na promoção da Net, a ordem dos fatores altera o produto. Ninguém, na loja ou na Net, sabe informar direito o passo a passo. O ingênuo cliente conclui então que só poderia ter solicitado o up grade para HD exclusivamente pelo telefone do Net Vendas, o tal fornecido pela loja. Mas o número, tratado com uma senha secretíssima, só pode ser liberado depois da compra sacramentada.

Questionado se para resolver o imbróglio não seria possível uma troca interna de informações, o tartamudo atendente diz que não. Mas ante a insistência do cliente, feito de idiota, o (in) esperado acontece. O funcionário sai do ar. Igualzinho à Net quando chove. De novo, o esperado acontece: cansado e humilhado, o assinante joga a toalha, desliga o telefone e desiste.

A promoção de três meses de gratuidade não salva ninguém de uma concordata, mas é direito do consumidor e obrigação das duas empresas. Que tal entrar na justiça, usar a ouvidoria, esbravejar ao telefone, isto se a ligação não “cair”, repetindo um número de protocolo com mais de dez dígitos na mão?

Desentendidos na linha Detalhe: no número 30037733 do Televendas não há opção para se obter um número de protocolo e a sugestão é de que o cliente, já de saco cheio, ligue para a central de atendimento para registrar a ocorrência. Menos, menos. A paciência esgotada sugere entubar a tentativa de sermos tratados com decência e como assinantes que pagam pontualmente (muito caro, por oportuno) os serviços que contratam.

Mal informados sobre as promoções e mal treinados, os funcionários dessas empresas e, claro, seus gerentes sabem muito bem como fazer o assinante desistir até de reclamar. Depois de desfiar seu rosário de lamentações, o cliente ouve o clássico ”um momento...” e tudo ficará como está. Com a avalanche de reclamações que todas as empresas de TV por assinatura e telefonia acumulam no país, uma a mais uma a menos não fará a menor diferença. O crime compensa.