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Ascensão social

O poder emergente

por André Siqueira — publicado 17/06/2011 13h54, última modificação 17/06/2011 13h54
Com mais acesso à informação e à educação, uma classe média renovada consolida-se como maioria e cria novas demandas para o Estado e as empresas
O poder emergente

Com mais acesso à informação e à educação, uma classe média renovada consolida-se como maioria e cria novas demandas para o Estado e as empresas. Foto: Cléo Velleda/Folhapress

Alfredo falcão Limeira deixou Brasília em 1979 e chegou a São Paulo, fadado a seguir o roteiro dos migrantes que aportavam aos montes na metrópole, sem estudo nem posses. Instalou-se na periferia, trabalhou no chão de fábrica e em garagem de ônibus. Para tentar uma vida melhor, fez curso de cabeleireiro. Em 1985, construiu um salão de beleza na favela de Heliópolis e instalou-se com a mulher e a filha no andar de cima. O negócio deu certo, o pequeno prédio ganhou mais dois andares. Mas a história de Falcão não parou por aí.

A clientela passou a gastar mais com beleza nos últimos anos. A poucos metros do salão, na cada vez mais movimentada Estrada das Lágrimas, foram abertas recentemente uma agência do Bradesco e uma unidade das lojas Marisa. De olho na nova realidade, Falcão fez duas apostas ousadas. Criou uma linha de produtos de beleza, que leva seu nome e está em fase de pré-lançamento. No fim do ano passado, procurou um banco para financiar a compra de uma casa no bairro de classe média do Ipiranga, a poucos quilômetros da favela, onde vai inaugurar um novo salão no andar térreo.

A ideia é, mais uma vez, ocupar com a família o piso superior. Ainda falta convencer a mulher a deixar a vizinhança, mas para Falcão faz algum tempo que a vida fora de Heliópolis é uma realidade. No ano passado, ele foi a quase todos os grandes shows de rock internacionais -realizados em São Paulo. “Adorei ver o Metallica e o AC/DC, mas o Paul McCartney foi o que me emocionou mesmo”, conta. O novo endereço também vai facilitar suas visitas ao Parque do Ibirapuera, onde treina regularmente para acompanhar o circuito de corridas de rua da capital.*

Confira a matéria completa na edição 651 de CartaCapital