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O outono, enfim

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 08/05/2009 16h02, última modificação 21/09/2010 16h04
Ainda bem que (quase) tudo que vai volta. No Rio, estamos a viver os melhores dias do ano. Céu azul, temperatura amena durante o dia, fresquinha à noite.

Ainda bem que (quase) tudo que vai volta. No Rio, estamos a viver os melhores dias do ano. Céu azul, temperatura amena durante o dia, fresquinha à noite. Esse equilíbrio de luz e calor, de sombra e frio parece redimensionar a paisagem da cidade e despertar sensações ofuscadas pelo excesso de claridade e de calor, com o perdão dos solares fundamentalistas. Em suma: dias de exportação.

Ao confrontar esses últimos dias magníficos com os últimos dias de dilúvio e estiagem quase seca no Norte e no Sul do país temos a sensação de que a natureza por enquanto anda de bem com a cidade. Não que sejamos, por aqui, mais responsáveis com o planeta que nossos irmãos de cima e de baixo. Talvez por sorte, mesmo. A danada existe.

Para os viciados em verão, os dias atuais são a antevéspera da infelicidade. E estamos falando de um café pequeno que é o inverno carioca. Só não sabem eles que, por exemplo, mesmo no verão, a temperatura no Alasca chegar a ser mais baixa que a do Rio em julho/agosto.

Mas, com a alma mais confortada sob o céu de maio, é quase possível tolerar os rugires dos nossos ônibus em suas pesadas carcaças de caminhão e a impressionante sujeira das ruas da cidade.

É um lixo casual que seria uma questão facilmente resolvida, não só com as competentes vassouras da Comlurb, mas principalmente com um pouco de educação de parte dos cariocas e dos que vivem na cidade. É olhar para o chão e constatar a quantidade de papéis e, na maioria das vezes, do lixo seco que atravessa os caminhos.

Os distribuidores de panfletos e filipetas, uma verdadeira praga urbana, produto do sub-sub-emprego, são uma importante fonte dessa poluição, o que não dá o direito ao passante jogar no chão todo e qualquer papelzinho que lhe é empurrado.

Mas tem gente que não se emenda, principalmente nas classes ditas mais esclarecidas. Domingo passado, no Shopping Leblon, um dos mais sofisticados da cidade, um cheeseburguer atolado em catchup jazia num dos corredores da praça de alimentação. Que pai ou mãe porcalhões deixaram que o sanduíche caído das mãos do filhinho ficasse ali, em meio a tantas possibilidades de lixeiras? Ou pior, a caca pode pode ter sido deixada por um adolescente e até mesmo um adulto descontente com o ponto da carne. É possível.

Cinzeiros públicos Seria pedir demais que a prefeitura, como fez há alguns anos e depois desistiu, acoplasse cinzeiros às lixeiras cor de abóbora da cidade?

Os mais descrentes poderão pensar que a idéia é frescura, já que estamos reclamando que os manés, categoria de mal educados em amplo espectro, não conseguem nem jogar lixo no lugar apropriado.

No meio do lixo das ruas é também impressionante o número de guimbas jogadas nas calçadas meios-fios e jardineiras. Choveu, vai tudo para o ralo. E não é raro ver um fumante – já que ainda se pode fumar na rua – procurando um lugar, digamos, de uso menos comum para apagar o seu cigarro.

Sem alternativa, a criatura (se baixar aqui um espírito antitabagista podemos chamá-la de viciada, infeliz, pobre de espírito, insegura, irresponsável e, enfim, sujona) joga a bituca no chão e lhe dá aquela amassada tradicional com o pé, apagando a brasa.

Da mesma forma que milhares usam as lixeiras nas ruas para depositar o lixo, e sabemos que o hábito é uma questão de criar hábito, nem todos, mas muitos fumantes, certamente, fariam a sua parte, enquanto não decidem salvar suas vidas e não prejudicar a dos outros mandando o cigarro para o espaço. Em sentido figurado, claro.

Mistério adiposo Ronaldo fez gol contra o Palmeiras. Ronaldo fez gol contra o São Paulo. Ronaldo fez gols contra o Santos. Ronaldo acabou dando o título paulista ao Corinthians (Foi isso, não se aceita reclamações posteriores...).

É visível que nosso querido El Gordito está gordinho mesmo. E fazendo golaços. Mas por que cargas dágua ele insiste em dizer que não estar adiposo? O nutricionista do Corinthians não tem nenhuma dieta de reeducação alimentar de secos e molhados?

Por que Ronaldo não emagrece e acaba com esse físico de jogador de time de Casados contra Solteiros? A silhueta das gorduronas torna-se visível ao usar a camisa branca. Com a preta dá para disfarçar.