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Sociedade

Cariocas (quase sempre)

O maior espetáculo das ruas

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 14/03/2011 09h05, última modificação 14/03/2011 09h05
A cidade que se equipara a Salvador em número de visitantes ainda precisa exercer a boa educação. Por Carlos Leonam & Ana Maria Badaró

A cidade que se equipara a Salvador em número de visitantes ainda precisa exercer a boa educação
A

gora chegamos lá. O Rio passou Salvador, ou está pau a pau com ela em número de visitantes. O Cordão do Bola Preta reuniu mais gente que o Galo da Madrugada, no Recife. É o que se especula. E agora é multiplicar até que a curva entre em descensão natural, como ocorre na Bahia. Com o que vai acontecer na cidade, Copa, Olimpíadas e o resto, a tendência é que o carnaval daqui cresça e apareça mais. Mas a cidade precisa estar preparada também para receber tanta gente com ânsia de se divertir.

Nunca se viu tanto gringo nacional e internacional. Fora os que não botam a cara nos meios-fios da vida porque são menos, digamos, pop. É verdade também que nunca as autoridades estiveram tão empenhadas em evitar que a alegria do povo atrapalhasse a vida dos cariocas menos ardentes nos dias de carnaval. Mas sempre há o que aprender em organização e planejamento.

No domingo de carnaval, as ruas do Leblon e de Ipanema estavam lotadas, como se previra.  Se não de foliões seguindo blocos, de foliões em busca de um novo pretexto para brincar, de alimentação e de alegria onde houvesse ou pudesse ser inventada. O trânsito passou a tarde e boa parte da noite dando nó, para desespero dos motoristas e pedestres sem transporte. O resultado de um cenário assim é que os táxis vão sumindo das ruas, os ônibus vão lotando e as vans – bem, quem puder, quem quiser e quem necessitar muito que se aventure a entrar numa delas.

Com os shoppings fechando às seis e meia da tarde e os blocos de peso encerrando seus trabalhos, haja gente perambulando. Muitos tiveram de andar quilômetros para conseguir voltar para casa. Uma caminhada do Leblon a Copacabana não faz mal a ninguém, mas, quando a maratona é pura falta de opção, oh, saudade de um dia comum.

No longo e tortuoso caminho, hordas de foliões a ser vencidas, bebuns transbordando seus êxtases e nenhum policiamento. Durante o trajeto, feito pelo Jardim de Alá, Visconde de Pirajá e Avenida Atlântica, a “dona dura” não fez falta. Os abusos ingênuos não feriram nada nem ninguém e estavam de acordo com a festa. Mas seria bom ver a força pública, que nem “arlequim chorando pelo amor da colombina”, no meio da multidão.

Os guardas, por exemplo, teriam evitado brincadeiras de mau gosto de rapazes sentados na faixa de pedestres, impedindo o trânsito de fluir. Ou teriam impedido que alguns corsos eletrônicos improvisados sobre utilitários arrastassem grupos de animados foliões- embolando ainda mais o fluxo.

Ora, direis, decerto perdeste o humor. Mas é nessas horas que se percebe o quanto é necessário ainda educar a classe média e ensinar-lhe que a sua alegria não se faz com o desrespeito aos outros, que apenas pedem passagem para tocar a própria vida num dia que, coincidentemente, caiu no carnaval.

Das bundas

As possibilidades do silicone estão resultando em mulheres-caricaturas. Nem o cartunista Lan, famoso por criar lindas mulheres com seus traços exuberantes, sonharia ver concretizado algo como a monstruosa Valeska Popozuda (ela, no carro do King Kong versus Relógio da Central, meteu mais medo que o simpático gorila) e suas muitas primas em prótese, balançando bizarras bundas nas avenidas, muitas ainda com alguns hematomas das cirurgias recentes. Haja HD!

No universo das celebridades sem conteúdo, o futuro é hoje. Mas o que será dessa mulherada inflada quando a inexorável conta da idade chegar? A diferença entre as gostosas do Lan e as de silicone é que as curvas destas não têm leveza e pesam tanto quanto seus mililitros.

Non, merci

Todo mundo agora quer ter uma agremiação carnavalesca. O que era o bloco da Aliança Francesa em desfile no sábado, na Atlântica?

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