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Crônica

O esporte e a Rio+20

por Redação Carta Capital — publicado 03/07/2012 10h03, última modificação 06/06/2015 17h29
Como toda a cultura, o futebol anda doente. Não poderia estar fora de um mundo desequilibrado

Por Afonsinho

 

Onde o esporte se encontra com a sustentabilidade?

Garrincha, pelo próprio nome, é um símbolo. Ninguém melhor do que ele demonstra a luta do homem na busca pela integração à natureza. Sua origem indígena e sua mestiçagem são o melhor exemplo “dessa gente bronzeada”. Tirado em estado bruto de Raiz da Serra, sempre teve sua imagem relacionada à ingenuidade, não no sentido da simplicidade, mas às vezes, muitas vezes, no tom jocoso com que se fala dos jogadores de futebol – uma certa inveja mal disfarçada.

A sensibilidade, a delicadeza, a acuidade do Mané ajudam a entender a grandeza de sua obra. Explicar é impossível, embora a arrogância abrigue muitos pretensiosos. Passa-se pelo filtro do tempo e cada vez mais se cristaliza a sua genialidade.

Temos tentado, e vamos continuar tentando, nas iniciativas de promoção social através do esporte, desenvolver trabalhos que façam essa união. Primeiro no distrito rural da Vila Ribeiro, município de Jaú (SP), e agora em Paquetá, pequena ilha no Rio de Janeiro. As dificuldades são muitas, desde as nossas próprias até as estruturais. Consciência ecológica, material esportivo feito com material reciclado? Existem bons incentivos e vamos insistir.
O esporte é uma face da sociedade e serve muito bem para se analisar a quantas anda a vida em nossos dias. Como toda a cultura, está doente. Não poderia estar fora de um mundo desequilibrado.

A palavra de ordem é sustentabilidade. Em plena Rio+20 saí da cidade para participar de uma discussão sobre esses temas quase na fronteira do querido Ceará com o Maranhão. Soube que a Austrália chega com a aprovação de uma ampliação grandiosa em sua área de preservação marinha e encontra o anfitrião sem resolver a expansão do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Por aí se justificam os temores em relação à capacidade brasileira diante de eventos como a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

A procura por encontrar esse rumo vem de longe, bem maior que o intervalo desde a Eco-92. Entre meus filhos, uma tem nome de flor, outro de passarinho. A voz do poeta ecoa: “O homem não sabe se vai encontrar um jeito de dar um jeito na situação”.

Enquanto isso, seguem os acontecimentos esportivos do momento. Volta e meia ensinam que a vida nem sempre é justa. A gente deve dar a volta por cima.

Na fase de classificação da Euro 2012, saíram a Polônia, uma das anfitriãs do evento, e a Rússia. Um desastre para os torcedores poloneses. Uma derrota importante para nós a saída dos russos. Fizeram opção por um futebol criativo, eficiente e bonito. Torcemos pela perseverança.

Por outro lado, a Grécia, mal das pernas na bola e nas finanças, dá um alento ao seu povo nesta hora difícil. Nada da propalada e discutida alienação pelo esporte. Esquenta os corações, ajuda a levantar os ânimos. Perdeu? Viola no saco e planos para recomeçar, tijolo por tijolo, coisa que os poloneses sabem melhor que ninguém.

Nas conversas com os amigos, a preocupação comum com a “obrigação” de o Brasil ganhar a Copa em casa. Sabemos dos nossos talentos. A experiência vai ser mais importante do que nunca.

No plano doméstico, segue o Campeonato Brasileiro. Pelé se incomoda com o Neymar muito preso no lado esquerdo do campo e com as sucessivas quedas, mas o buraco é mais embaixo. Jogando com dois, às vezes um atacante, há muito tempo os meias só acham espaço para atuar nas costas dos alas, fugindo do cipoal de “cabeças de bagre” (João Saldanha).

Fico refém do Nem tricolor, canhoto capaz de levar uma bola à linha de fundo. A mesma situação de tantos outros. O primeiro que reparei assim foi o extraordinário Hristo Stoichkov, companheiro e amigo de Romário nos tempos do Barcelona. Ficava por ali na armação das jogadas. Veio até passar uns dias de férias por aqui. Quanto ao cai-cai, pode haver exagero, mas é melhor pular estalinho de São Pedro que ir parar no estaleiro. Ao menos enquanto constrói sua carcaça de atleta e ainda não tem condições de encarar no corpo a corpo os “brucutus” que sempre existiram e ora se multiplicam. O “rei” sabe disso mais e melhor que ninguém. Por falar nisso, é bom cuidar da saúde do rapaz, que não é de ferro e dá mostras de cansaço.

No quesito botinadas, o campeonato, ainda nas primeiras rodadas, exibe uma agressividade incomum. Impressionante também a volta das críticas vazias de que tal jogador não rende na Seleção o que rende no clube. Muitos têm sido vítimas da maldade dessa gente. Lionel Messi inclusive.

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