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O chapéu de todos nós

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 01/10/2009 15h21, última modificação 21/09/2010 15h23
As lojas cariocas do comércio de rua estão ficando carecas. Deve ser porque a Prefeitura andou dando em cima das marquises, ou melhor dos síndicos, para que sua conservação não ameaçasse mais a vida de ninguém. Resultado: as marquises estão desaparecendo.

As lojas cariocas do comércio de rua estão ficando carecas. Deve ser porque a Prefeitura andou dando em cima das marquises, ou melhor dos síndicos, para que sua conservação não ameaçasse mais a vida de ninguém. Resultado: as marquises estão desaparecendo. Assim, desaparecem os graves problemas que a má conservação desses abrigos traz e se justificavam a máxima de que o perigo vem do céu. Por desleixo e descaso, inocentes morreram em diversos pontos da cidade ao longo dos anos, com o desabamento de marquises mal cuidadas.

Agora, para que ninguém morra e para que a conservação obrigatória não se torne uma preocupação e uma despesa sistemáticas para os seus responsáveis, estamos vivendo uma onda arquitetônica de não-marquises. Nas construções antigas, as coberturas estão sendo eliminadas; nas novas, deixam de ser opção. As principais ruas de comércio da Zona Sul do Rio, de parcas árvores, embora numa terra solar, ficam menos aconchegantes e parecem mais pobres.

Mais pobres também ficamos nós. Uma marquise bem conservada, é bom que se sublinhe isso, em uma terra caliente e úmida, não faz mal a ninguém. É uma proteção. Na definição do Houaiss, marquise é uma “espécie de alpendre sobre a porta para proteger da chuva e do sol”. E é essa a falta que as marquises fazem.

Quem, na ausência de um guarda-chuva, nunca voltou para casa ou chegou a salvo no trabalho porque foi se esgueirando sob as marquises? E as moças desprovidas? Só quem já saiu de um salão de beleza depois de ter feito uma escova tinindo-trincando e teve de enfrentar uma procela é que sabe que a marquise é uma garantia de que nem tudo está perdido. Nem o penteado nem o namorado.

Nos países de inverno rigoroso de pouco sol, as marquises que acabam servindo de aparo para a neve pesada não são necessárias . Mas acabar com o abrigo de utilidade pública por aqui, faça chuva ou faça sol, é uma solução que empobrece a combalida arquitetura da cidade.

Como servem de abrigo para o pernoite e a estada da população de rua ad caterva, causando problemas de toda ordem, talvez seja esse o motivo principal do sumiço das coberturas do panorama urbano. Independente da razão do fim das marquises no Rio, eliminá-las é como roubar nosso chapéu.

CORRIGINDO 20 VELHOS DITADOS De vez em quando, rolam na Internet algumas coisas inteligentes, espirituosas, politicamente incorretas e que tais. O que se segue foi recebido pelos Colunistas. Além de irreverentes e incorretas politicamente (Aí! Que coisa mais chata!), o nosso Millôr Fernandes não teria vergonha de assiná-las. Ou não?

1 - "Os últimos serão... os desclassificados."
2 - "Quem espera... fica de saco cheio."
3 - "Alegria de pobre... é impossível".
4 - "Quem com ferro fere... não sabe como dói".
5 - "Em casa de ferreiro... só tem ferro".
6 - "Quem tem boca... fala. Quem tem grana é que vai a Roma!"
7 - "Gato escaldado... morre, pô!"
8 - "Quem ri por último... é retardado".
9 - "Quando um não quer... o outro insiste."
10 - "É dando que se... engravida".
11 - "Há males que vêm para... ferrar com tudo mesmo!"
12 - "Se Maomé não vai à montanha... é porque ele se mandou pra praia."
13 - "A esperança... e a sogra são as últimas que morrem."
14 - "Quem dá aos pobres... cria o filho sozinha."
15 - "Depois da tempestade vem a... gripe."
16 - "Devagar... nunca se chega."
17 - "Antes tarde do que... mais tarde."
18- "Em terra de cego quem tem um olho é... caolho."
19 - "Quem cedo madruga... fica com sono o dia inteiro."
20 - "Pau que nasce torto... urina no chão."