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O arrependimento de Felipão

por Fabio Chiorino* — publicado 02/07/2014 11h16, última modificação 03/07/2014 09h42
O técnico da seleção brasileira disse que trocaria um dos 23 convocados para a Copa do Mundo. O que os jogadores estão pensando agora? Por Fabio Chiorino
Ricardo Stuckert / CBF
Luiz Felipe Scolari e Flávio Murtosa

Luiz Felipe Scolari e Flávio Murtosa, seu auxiliar, durante treinamento na Granja Comary. Quem é o jogador que ele gostaria de desconvocar?

Durante um encontro com seis jornalistas na Granja Comary, Felipão confessou que, se pudesse, trocaria um jogador entre os convocados para a Copa do Mundo. Após o arrependimento do treinador da Seleção brasileira, o Esporte Fino imaginou o que passa pela cabeça dos jogadores com essa revelação.

Será que sou eu? Não pode ser. Justo agora nas quartas-de-final. Mas o Felipão foi claro. Pelo menos foi o que os jornalistas publicaram. Se arrependeu de convocar um de nós. Quem, Felipão? Quem? Não pode ser. Me dediquei demais nos treinos. Não reclamei de nenhuma de decisão do professor. Eu adoro o Murtosa. Me dou bem com o Parreira. Não pode ser. Mas e se for eu? Sei lá, outro dia o Neymar me olhou estranho. Parece que sabia de algo. Mas o que eu fiz de errado. Nem coloquei foto minha no Instagram. Não pode ser. Será que foi aquele dia na coletiva. Eu não questionei as decisões do Felipão. Eu apenas não fui muito seguro para falar sobre a seleção. Poxa, mas não estamos jogando bem. Todo mundo sabe disso? Tá na cara. Não pode ser. Será que foi aquela entrevista que dei depois daquele treino? Não disse nada polêmico. Ou disse? Chorei depois da partida contra o Chile, é verdade. Mas isso não é fraqueza. Todo mundo chorou. Acho que até o Felipão. Bobagem essa história que homem não chora. Será que foi isso? Sim, eu faltei naquele encontro com a psicóloga, mas me garantiram que eu poderia chamá-la a qualquer hora no WhatsApp. Não pode ser. Mas e agora contra a Colômbia? Será que eu vou ser relacionado? Tenho que ser. Não fugi da concentração. Não fiz samba fora do horário combinado. Não fiz piada com a bunda do Hulk. Não pode ser. Nem dei risada quando apareceu o Marin na concentração com aquele jeito bizarro dele. Por que ele nunca tira aquele óculos escuros, hein? Preciso ligar para a minha mãe. Estou nervoso demais. Esse era o sonho da minha vida. Copa do Mundo. E ainda mais no Brasil. Não pode ser. Mas é muita pressão. Não quero ser o novo Barbosa. Não quero ter medo de sair de casa. Seria um pesadelo para carregar pelo resto da vida. Eu vou entrar na sexta. Tenho certeza. Vou cantar o hino com mais força. Vou dar carrinhos aleatórios para delírito da torcida. Preciso confiar em mim. Vou chorar de novo. Não acredito. Não pode ser. Felipão, diz logo. Conta para o grupo o seu arrependimento. Vai ser triste, mas será melhor para todo mundo. Só não deixa essa dúvida na cabeça de todo mundo. Vamos vencer a Colômbia, professor. Vamos vencer. A gente segura o choro, se for necessário. Ou deixa para chorar só no vestiário. Eu treinei bem pênaltis. Pode confiar, Felipão. Vamos calar a boca dos críticos. Não precisa mais chamar os jornalistas. Confie em nós. Não nos abandone. Somos 23 guerreiros. Será que sou eu? Não pode ser, Felipão. Não pode ser....

*Fabio Chiorino é integrante do Esporte Fino, blog parceiro de CartaCapital