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Sociedade

Surrealismo tropical

O alegre réveillon de Battisti

por Wálter Maierovitch publicado 04/01/2011 10h00, última modificação 07/01/2011 15h01
À última hora, Lula nega a extradição do ex-terrorista

À última hora, Lula nega a extradição do ex-terrorista

Guido Rossa deve estar a girar na tumba diante de um quadro que se apresenta surreal, quer para os italianos, quer para os brasileiros minimamente informados e até para a comunidade de foragidos da Justiça italiana que vivem na França. Os seus integrantes, ao contrário de Cesare Battisti, nunca negaram participação nos atos terroristas consumados contra o Estado democrático.O metalúrgico Rossa era, na vida política italiana dos anos 70, um Lula emergente.

Representava o braço sindical do PCI em Gênova e era adepto do eurocomunismo de Enrico Berlinguer, que adotava linha independente em relação a Moscou. Em 24 de dezembro de 1979, Rossa, quando dirigia seu automóvel, foi fuzilado por terroristas da feroz esquerda radical. Uma vendetta por não ter permitido, na centenária metalúrgica Italsider, a distribuição de panfletos voltados à derrubada pelas armas do Estado de Direito.

Entre as diversas organizações eversivas da época estavam as Brigadas Vermelhas, a Prima Línea, o Poder Operário e até o minúsculo Proletários Armados para o Comunismo (PAC), que tinha Cesare Battisti, ao lado de Giuseppe Memeo e Cláudio Lavazza, no comando das “operações de sangue”, ou seja, aquelas voltadas a matar ou aleijar os “inimigos do proletariado”. Esse termo era empregado nos comunicados do PAC destinados aos jornais ao assumir a autoria dos seus atentados. Atuavam com violência, ainda, os anarquistas e os eversistas neri, de ultradireita.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 628, já nas bancas.

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