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Sociedade

Maria Rita Kehl

Nova Classe Média

por Clara Roman — publicado 03/11/2011 10h21, última modificação 03/11/2011 10h22
A nova classe média, assim que pode pagar um plano de saúde privado picareta, para não ter que usar o SUS, pagar um guarda de rua, por o filho em escola particular, ela faz e sai da luta de classes, do seu lugar na luta de classes

Maria Rita Kehl, sobre a Classe C:

As mazelas da vida pública no Brasil – daquilo que o estado tinha que garantir como direito do cidadão, os famosos saúde, educação, segurança, moradia, esgoto, isso tudo que o estado deveria garantir e é uma luta, inclusive contra a corrupção, nas cidades e governos para que elas sejam implantadas em todos os cantos do país. O que eu ia sugerir é que talvez a nova classe média, assim que pode pagar um plano de saúde privado picareta, para não ter que usar o SUS – embora muitas vezes o SUS seja melhor ‘mas é coisa de pobre’ –; assim que pode pagar um guarda de rua, ao invés de reclamar da falta de polícia ou da violência da polícia em muitos lugares; assim que pode por o filho em escola particular, ela faz e sai da luta de classes, do seu lugar na luta de classes.

Cada vez mais o problema do desamparo do estado vira um problema de quem é mais e mais pobre. O Movimento Passe Livre contra o aumento de passagem aqui em São Paulo e em outras cidades não ganhou a população. Talvez uma parte grande dessa nova classe média ache que ‘tudo bem pagar três reais, pelo amor de deus, não sou mais miserável’, esse tipo de pensamento.

MST e o governo Dilma

Eu cobraria desse governo uma atitude mais séria em relação aos compromissos com o MST. O MST é o maior movimento social do país, talvez do mundo, faz um trabalho extraordinário no campo e mesmo junto aos jovens nas favelas sem perspectivas, etc. Ele tem um padrão de formação de educação melhor do que 90% das nossas universidades e as reivindicações ficam sendo enroladas, acampamentos se eternizam, para quem está assentado, não sai financiamento e por outro lado o agronegócio tem tudo o que pedir e nem teve que abrir a boca para pedir. Esse governo tinha que ser mais sérios nas duas pontas, cercear mais os abusos do agronegócio. É um tratamento muito desigual.

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