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Sociedade

"Jogos da Exclusão"

Na Rio 2016, as violações trabalhistas abundam

por Redação — publicado 10/08/2016 20h34
Auditores do Ministério do Trabalho voltam a detectar problemas na Vila Olímpica. Desta vez, 3,5 mil funcionários estavam em situação irregular
Fernando Frazão/Agência Brasil
Vila Olímpica

A Vila Olímpica, no Rio de Janeiro, coleciona autuações por irregularidades trabalhistas

Os Jogos da Exclusão, como movimentos sociais apelidaram a Rio 2016, sobretudo em virtude da remoção forçada de milhares de famílias cariocas para as obras olímpicas, também devem ser lembrados pela violação aos direitos trabalhistas.

Uma inspeção do Ministério do Trabalho identificou 3,5 mil funcionários em situação irregular na Vila Olímpica, enfrentando jornadas sem controle de duração em bares e lanchonetes. Eles também não dispunham de alimentação adequada.

“Em algumas instalações, os trabalhadores atuavam sem assentos para descanso e em quiosques sem cobertura. Na hora do almoço, tinham que sentar no chão”, informou a assessoria de imprensa da pasta, nesta quarta-feira 10. A inspeção foi realizada em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT).

As empresas responsáveis foram convocadas para prestar esclarecimentos e assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), além de receber autos de infração. Os fiscais também encaminharam uma série recomendações ao Comitê Rio 2016, como a adoção de registro eletrônico de ponto, exigido pela legislação, e garantia de acesso aos trabalhadores a um refeitório.

Não é a primeira vez que os fiscais identificam violações trabalhistas nas instalações olímpicas. No fim de julho, o Ministério do Trabalho encontrou 630 trabalhadores sem registro em carteira em uma blitz no local. Eles trabalhavam em obras emergenciais de reparos, logo após a inauguração do condomínio que abriga os atletas.

Várias delegações estrangeiras encontraram problemas elétricos e hidráulicos nos dormitórios da Vila Olímpica. A delegação australiana chegou a abandonar as instalações e só retornou após o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), concluir obras de reparo.

O improviso saiu caro. Por conta dos operários flagrados sem carteira assinada e enfrentando jornadas exaustivas, de até 23 horas ininterruptas, o comitê organizador da Rio 2016 foi multado em 315 mil reais.

Sete equipes de auditores fiscais do Ministério do Trabalho monitoram as arenas esportivas e demais instalações olímpicas. Todos têm poder para fazer autuações, e novas inspeções estão planejadas para os próximos dias.