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Estudantes da Unicamp travam batalha contra a PM no campus

por Paloma Rodrigues — publicado 08/10/2013 16h01, última modificação 09/10/2013 10h02
Eles ocupam a reitoria desde o dia 3 e pedem um novo modelo de segurança para a universidade
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Assembleia na próxima quinta-feira definirá novos rumos do movimento dos estudantes. Pedido original era o de que reitoria discutisse novos planos de segurança para a universidade

Os estudantes da Unicamp permanecem em greve depois da entrada da Polícia Militar no campus da universidade, em Campinas, onde um estudante foi morto no dia 21 de setembro durante uma festa. A mobilização, que ocupa a reitoria desde a quinta-feira 3 de outubro, pede a saída da PM do campus e tem como objetivo articular um novo modelo de segurança para a universidade. Eles pedem que seja montada uma guarda universitária humanizada, composta inteiramente por funcionários concursados, sem terceirizados ou policiais militares.

A morte de Denis Casagrande, de 21 anos, em uma festa dentro da universidade, reacendeu o debate sobre a presença ou não da polícia dentro dos campus das universidades paulitas. Casagrande cursava engenharia de controle e automação na Unicamp e se envolveu em uma briga generalizada. Por volta das 4 horas, segundo o comando da Guarda Municipal de Campinas, que atendeu a ocorrência, o estudante foi esfaqueado e morreu.

"Não queremos uma guarda terceirizada, queremos pessoas que tenham o convívio social com os alunos e com o campus”, afirmou Diana Nascimento, diretora do Diretório Central dos Estudantes e integrante da comissão de comunicação do comando de greve. Dentre as reivindicações também estão um treinamento aos novos membros da guarda de maneira que façam um trabalho preventivo e não repreensivo e que a guarda seja composta por um contingente de mulheres.

“A gente não quer ser uma bolha. Queremos mostrar um novo projeto de segurança pública, mas para isso o reitor tem que estar nos escutando”, afirma uma aluna de história que não quis se identificar.

Em 2011, a discussão sobre uma nova política de segurança da universidade esteve em pauta na USP. Na época, após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, estudante de Ciências Atuariais, a universidade firmou um acordo com a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar, com o objetivo de implementar medidas de segurança e policiamento na Cidade Universitária, campus principal da USP, na capital. No convênio firmou-se que duas bases móveis da PM seriam instaladas o campus, para ajudar no patrulhamento da Guarda Universitária.

A reitoria da universidade foi ocupada por estudantes. Sem uma saída pacífica para o embate, a reintegração de posse foi efetuada e, atualmente, 127 alunos estão sendo processados administrativamente pelo ocorrido. A PM permanece com suas bases móveis dentro da USP.

Os estudantes afirmam que hoje o contexto é diferente do que era há dois anos, e que o espaço para o debate sobre as práticas da polícia está mais amplo. “De junho pra cá, com as revoltas sendo brutalmente oprimidas e, mais recentemente, depois do caso Amarildo, a polícia está sendo questionada como corporação em si. É essa a polícia que vai garantir a segurança da nossa universidade?”, questiona a estudante.

Negociação. Na tarde desta segunda-feira 7, uma reunião de negociação foi realizada entre 11 representantes dos estudantes, o vice-reitor da Unicamp, a pró-reitora de graduação e professores. No momento, a diretoria se comprometeu a não assinar nenhum convênio com Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar.

Consultada por CartaCapital, a Unicamp confirmou os pareceres em nota. “Nenhum convênio foi firmado com a Polícia Militar para a realização de rondas ostensivas no campus”. Foi reiterado ainda o “compromisso de estabelecer um debate amplo com toda a comunidade para discutir um plano de segurança e vivência nos campi da universidade, que será submetido à aprovação do Conselho Universitário”. Sem definir um calendário ou metodologias específicas, a Unicamp diz pretender definir com toda a comunidade acadêmica qual o melhor plano de segurança a ser instaurado.

Com relação à infraestrutura que a universidade apresenta, a Unicamp diz ter ouvido a reivindicação dos estudantes e se comprometeu a “garantir a poda da vegetação com maior regularidade, melhorar a iluminação e incrementar a circulação do coletivo externo noturno no campus de Campinas, bem como implementar esse serviço no campus de Limeira.”

A solicitação de que fosse aberta uma sindicância independente da reitoria para apurar os responsáveis pela morte do estudante Denis Casagrande não foi aceita. "A sindicância seguirá o seu curso normal”, explicita a nota.

A reitoria ainda afirmou que espera esgotar todas as possibilidades de negociação com os estudantes que ocupam a reitoria e que sua saída do local ocorra de maneira pacífica.

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