Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Ministério Público suspeita que presos tentaram alterar provas

Sociedade

Tragédia em Santa Maria

Ministério Público suspeita que presos tentaram alterar provas

por Redação Carta Capital — publicado 28/01/2013 13h00, última modificação 28/01/2013 16h18
Autoridades pediram a prisão diante de boatos de que os suspeitos poderiam fugir da cidade sem prestar depoimento

*Atualizada às 17h21

 

Quatro pessoas - dois músicos e dois empresários - supostamente envolvidas no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), foram presas nesta segunda-feira 28 em caráter temporário. A informação foi confirmada pelo delegado da 1ª Delegacia de Polícia (DP) do município, Marcos Viana.

Segundo o delegado, os pedidos de prisão temporária de cinco dias foram decretados em razão de boatos de que eles poderiam deixar a cidade sem prestar depoimentos à polícia. “Em razão disso, concluímos pela necessidade de pedir a prisão temporária, já que acreditamos que os depoimentos deles são necessários para nos ajudar a esclarecer o episódio”, declarou o delegado à Agência Brasil.

Em entrevista ao portal UOL, a promotora criminal Waleska Flores Agostini, representante do Ministério Público na investigação, disse haver indícios de as imagens do circuito interno teriam desaparecido. Isso, segundo ela, caracterizaria obstrução por parte dos empresários - identificados como Mauro Hoffmann e Elissandro Callegaro Spohr.

Ainda de acordo com declarações da promotora ao portal UOL, as prisões dos dois músicos foram motivadas pelo suposto sumiço de equipamentos de pirotecnia semelhantes aos usados no show pela banda durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em suas residências.

Os suspeitos estão detidos na 1ª DP de Santa Maria e serão ouvidas ainda nesta segunda. “Temos muito trabalho pela frente para esclarecer o que de fato aconteceu e identificar eventuais responsáveis”, acrescentou o delegado.

Alvará estava vencido

O delegado regional da Polícia Civil, Marcelo Mendes Arigony, confirmou nesta segunda que a boate Kiss tinha um alvará de funcionamento, mas que ele não era válido e estava em processo de renovação. Ele disse que a informação foi dada pelo proprietário do estabelecimento, que prestou depoimento no domingo 27. O delegado, no entanto, ressaltou que a documentação ainda precisa ser checada minuciosamente para se chegar a uma conclusão.

“O proprietário que foi ouvido ontem reconheceu. Ele disse, na verdade, que não estava com o alvará atrasado, que tinha encaminhado o processo de renovação, mas que não havia sido renovado ainda. O importante é o seguinte: ele não tinha um alvará válido, ele tinha um alvará e estava em processo de renovação”, disse.

Defesa de donos nega irregularidades

O escritório de advocacia Kümmel & Kümmel divulgou comunicado na noite de domingo em nome da boate Kiss. Na nota, a empresa Santo Entretenimento Ltda. manifesta o seu “maior sentimento de dor e de solidariedade em decorrência da lamentável tragédia”.

Segundo o documento, a situação da empresa é regular e a boate tinha todos os equipamentos “previsíveis e necessários” para combater incêndios, conforme normas do Corpo de Bombeiros. A boate ainda informa que os equipamentos atendem “às necessidades da casa e de seus frequentadores”. A empresa diz lamentar a extensão da tragédia, “que excedeu a toda a normalidade e previsibilidade de qualquer atividade empresarial”, e credita o incêndio a uma fatalidade. “Somente Deus tem condições de levar o consolo e o conforto espiritual que desejamos a todos os familiares e ao povo santamariense, gaúcho e brasileiro”.

Governo confirma 231 mortos

O governo do Rio Grande do Sul divulgou na madrugada desta segunda-feira uma lista com os nomes das 231 pessoas que morreram na tragédia, sendo que pelo menos 100 eram estudantes da Universidade Federal de Santa Maria. Inicialmente, as autoridades locais tinham informado que eram 233 mortos.

Este já é o segundo maior incêndio da história brasileira, superior à tragédia no Edifício Joelma, em São Paulo (179 mortos em 1974) e ao acidente da TAM em Congonhas, em 2007 (199). Só no circo de Niterói, em 1961, houve tantas vítimas fatais (mais de 500).

Com informações da Agência Brasil