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Mídia internacional aprova a Copa no Brasil

por Rodrigo Martins publicado 21/07/2014 15h05, última modificação 21/07/2014 18h58
Pesquisa do Ministério do Turismo revela que Mundial deixou uma boa imagem no imaginário dos jornalistas internacionais
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O governo federal conseguiu reverter a imagem negativa da Copa no Brasil, ao menos na mídia internacional. Mais da metade dos jornalistas estrangeiros que atuaram na cobertura do megaevento esportivo tiveram as suas expectativas superadas e a esmagadora maioria, 98,6%, avalia o Mundial de 2014 como “muito bom” ou “bom”. As conclusões são de uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Turismo e realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Ao todo, foram consultados 438 profissionais entre os dias 19 de junho e 2 de julho. Com média de idade de 37 anos, esses jornalistas atuam em grandes conglomerados de mídia, entre eles a Fox Sports, a ESPN, a Deutsche Presse-Agentur e Clarín.

“As previsões catastróficas não resistiram aos fatos. Antes do evento, falava-se em caos nas ruas, estádios inacabados, paralisia dos aeroportos. Foi gerada uma expectativa muito negativa, sem lastro com a realidade”, avalia o ministro do Turismo, Vinícius Lages, em entrevista a CartaCapital. “Não tinha a menor dúvida de que receberíamos bem os turistas, como estamos habituados a fazer no carnaval e no Réveillon.”

De modo geral, os itens de infraestrutura do Brasil receberam boas avaliações dos jornalistas estrangeiros, com destaque para os aeroportos (88% de aprovação), os táxis (87,7%), a segurança pública (81,8%) e a limpeza urbana (80,4%). As principais queixas se concentraram nos costumeiros problemas com a telefonia e o acesso à internet e na mobilidade urbana, com 47,9% e 32,1% de reprovação, respectivamente.

“O governo tem se esforçado para induzir a expansão da telefonia móvel, das redes WiFi e de tecnologia 4G. De fato, tivemos uma sobrecarga de transmissão de dados durante o evento, até porque essa foi a Copa dos selfies e das redes sociais. Mas não houve apagão, apenas problemas pontuais”, diz Lages.

Os serviços também foram bem apreciados, sobretudo os atrativos turísticos (98,4% de avaliações positivas), a diversão noturna (96,2%) e a facilidade para obter o visto brasileiro (93,2%). A maior dificuldade dos estrangeiros foi encontrar atendimento ou material turístico em seu próprio idioma, aspecto negativo destacado por mais de um terço dos entrevistados.

O trabalho dos funcionários e voluntários da Copa foram bem avaliados por 96% dos jornalistas estrangeiros, assim como as festas da Fifa e a infraestrutura dos estádios, com um índice de aprovação próximo de 90%. Por outro lado, metade dos entrevistados avaliou mal os estacionamentos próximos aos estádios e 38,7% não gostou da festa de abertura do Mundial.

Os preços dos atrativos turísticos e do transporte público foram considerados adequados pela maioria dos entrevistados. Por outro lado, as tarifas de hospedagem, táxi e passagens aéreas no Brasil eram caras demais para a maior parte dos jornalistas. No caso dos serviços hoteleiros, sete em cada dez entrevistados reclamaram dos preços praticados pelo mercado brasileiro.

“Durante um megaevento, é natural haver um preço um pouco inflacionado, até 15% mais caro”, justifica o ministro. “Quem visitar Cannes, na França, durante o festival de cinema perceberá isso. Além disso, o custo de vida no Brasil é um pouco mais elevado que o dos nossos vizinhos da América do Sul.”

A despeito das críticas pontuais, mais de 90% dos entrevistados concordam, totalmente ou em parte, que o Brasil é um bom destino turístico e seu povo é respeitoso e hospitaleiro com os visitantes. Não por acaso, 96,5% deles recomendaria aos amigos, familiares ou ao próprio público uma viagem ao País.

 

Com efeito, a imagem do Brasil teve uma sensível melhora ao longo dos 32 dias de competição. Pouco antes da Copa, os jornalistas estrangeiros destacavam como pontos positivos do país-sede a alegria popular (17,7%), suas belezas naturais (13,4%), sua tradição no futebol (11,3%) e a hospitalidade do povo (10,6%). Entre os aspectos negativos, a insegurança (20,5%) e os problemas socioeconômicos (11,3%) foram os mais citados.

Próximo ao fim do torneio, a imagem do Brasil melhorou para seis em cada dez entrevistados. A visão otimista sobre a hospitalidade (24,4%) e a alegria do povo (20,5%) aumentou, enquanto a sensação de insegurança reduziu consideravelmente, com apenas 5,3% das menções. “Não é perigoso como diziam”, ponderaram vários profissionais. A imagem de uma nação com graves problemas sociais manteve-se, porém, inalterada. “É um país muito alegre, com paisagens muito bonitas e comidas muito boas e muito ricas. Mas com muita desigualdade”, observou um dos jornalistas estrangeiros ao responder o extenso questionário.

Agora, o desafio do governo é transformar essa imagem positiva em pacotes turísticos. Anualmente, o Brasil recebe perto de 6 milhões de visitantes estrangeiros por ano. O Plano Nacional de Turismo tem como meta elevar o número para 7,9 milhões até 2016. Lages diz não ter como garantir o cumprimento da meta, mas prevê um crescimento entre 5% e 10% a cada ano.

“Cerca de 100 milhões de chineses visitam outros países a cada ano, mas somente 60 mil deles vêm ao Brasil”, lamenta o ministro. “Eles são grandes consumidores de produtos brasileiros, como o café. Precisamos mostrar a eles que esse café vem do Cerrado, uma região com paisagens belíssimas, que bem perto dali está o Pantanal. Se conseguirmos vender nossos produtos associado à imagem do nosso País, tenho certeza de que ampliaremos muito o nosso turismo. E a Copa nos ajudou muito a vender uma boa imagem do Brasil para o mundo.”

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