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Metrô de São Paulo para por três horas

por Bruno Huberman — publicado 21/09/2010 16h51, última modificação 03/11/2010 17h28
Paralisação causou pânico na manhã desta terça-feira. Governador diz que investigará para saber se foi apenas um acidente ou “um ato motivado”

Paralisação causou pânico na manhã desta terça-feira. Governador diz que investigará para saber se foi apenas um acidente ou “um ato motivado”

No trecho entre as estações Dom Pedro II e Sé na linha vermelha do metrô de São Paulo, um trem parou na manhã desta terça-feira 21. Os usuários do metrô paulistano já se acostumaram com esse ritual. A linha vermelha corta a cidade de leste a oeste e atende a região mais populosa do município, a leste.

Quando este trem parou a alguns metros abaixo do nível da rua, eram 7h50 da manhã. Hora do rush em São Paulo. A linha que já é lotada, estava mais ainda. A vermelha é a linha de metro paulistana que registra o maior índice de hiperlotação, com 11 passageiros por metro quadrado, contra 9 da azul (sentido norte-sul) e 6 da verde. O padrão internacional para horário de pico é de 6 passageiros por metro quadrado.

Nesse período em que o trem ficou parado, no sentido da estação Sé, que faz conexão com a linha azul e é famosa pelas suas fotos de megalotação nos horários de pico, um “alarme de porta”, supostamente em decorrência de uma blusa presa nele, foi acionado. Um funcionário do metrô que estava na estação Sé caminhou pelos trilhos e foi verificar o ocorrido. Como muito provavelmente era apenas uma blusa presa na porta mesmo, não encontrou nenhum problema e ordenou que, assim que o trem seguinte terminasse de desembarcar e embarcar os passageiros, este poderia seguir viagem. Contudo, em seguida, o sinal de emergência, acionado por um “botão soco”, se acendeu e as portas foram abertas, fazendo os passageiros irem para a via. O acontecimento fez o sistema do metrô desligar a energia de toda a linha e causou pânico nos outros trens.

A falta de energia paralisou a circulação de ar nos outros trens e os passageiros começaram a entrar em desespero. Alguns chegaram a quebrar os vidros e portas para conseguirem sair dos vagões. Segundo a assessoria do Metrô, 17 trens foram danificados. As pessoas que esperavam nas estações também começaram a se revoltar com os funcionários do Metrô. Bene Barbosa, diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários de São Paulo (Metroviários), classificou a situação como “irresponsável”. A situação se normalizou apenas as 10h30 da manhã, quando a energia retornou e os trens voltaram a circular.

Em pronunciamento, o governador de São Paulo, Alberto Goldman, disse que ordenará uma investigação do caso: "Nós vamos fazer uma sindicância para saber o que aconteceu, para saber a motivação. Se foi um ato acidental. Se foi um ato sem acidente, um ato motivado" disse, após participar da inauguração da Estação Tamanduateí do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na Mooca, zona leste da capital paulista.

No inicio da tarde, a ex-vereadora de São Paulo e coordenadora da campanha tucana na internet, Soninha Francine, em sua página do twitter, associou a paralisação do metrô a uma sabotagem da candidatura petista: "Metrô de Spaulo tem problemas na proporção direta da proximidade com a eleição. Coincidência? #SABOTAGEM #valetudo #medo [sic]", escreveu em seu microblog. A declaração já gerou outro viral no twitter e, após o “dilmafactsbyfolha” e o “serrafactsbyserra”, o “soninhafacts” alcançou os trending topics (assuntos mais falados na rede de microblogs) nesta terça-feira.

Em entrevista ao site Terra Magazine, Soninha se defendeu: “Eu espero que não prejudique, mas nós estamos em campanha. Eu não posso controlar a minha revolta e indignação só porque pode prejudicar. Vou guardar para quando? Para o Natal?”. O sistema de transportes do Estado tem sido um dos alvos preferidos do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloisio Mercadante. "Acho estranho que ainda não tenham usado isso de forma eleitoreira", disse.

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