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Marisa e os gatos

por Ali Onaissi — publicado 24/02/2011 17h04, última modificação 28/02/2011 16h03
Especialista não sabe onde alojar seus 35 “filhos”, após lei que restringe o número de animais por casa. Por Ali Onassi
Marisa e os gatos

Especialista não sabe onde alojar seus 35 “filhos”, após lei que restringe o número de animais por casa. Por Ali Onaissi. Foto: Bruno Huberman

Na quinta-feira 3, o mundo comemorou o início do Ano do Gato (chamado também de Coelho). Este será um período de prosperidade, paz e contentamento, segundo a astrologia oriental. E nós dizemos “Amém”. Mas para Marisa Paes,- todos são anos (aliás, meses, semanas e dias) do gato.

A razão disso é que ela é a melhor (e por enquanto única) gatóloga do Brasil. Uma das maiores entendidas nas ciências do bichano, Miaurisa, como é conhecida pelos fãs, amigos e clientes, tem uma ligação muito especial com a gataiada. Ela dedica 24 horas do seu dia a cuidar não só do delicado e elegante animal, mas também de seus donos.

Miaurisa ministra todo tipo de curso referente a gatos: história, mitos, tradições populares, magia e genéticas, desde os primeiros contatos com o homem, milhares de anos atrás. A sua influência na atualidade, especialmente a econômica. “Imagine mais de 800 mil gatos só na cidade de São Paulo comendo e bebendo do melhor e se tratando em pet shops e veterinários. Isso movimenta uma dinheirama.”

Além de gatóloga, é também cat sitter (babá de gatos), cat nurse (leva os gatos para ser castrados, evitando trauma maior para seus donos), empresária e agente (vende espécimes raros e de alta estirpe, com pedigree reconhecido internacionalmente).

Filiada à Federação Felina Sul-Americana, Miaurisa trabalha com gatos considerados raros no Brasil. E, por isso, ela insiste em afirmar que não comercializa animais raros, mas dá a oportunidade a poucos privilegiados de tomar conta desses exemplares. “Eu sou superexigente com os que pretendem adquirir meus ‘filhos’”, diz. “Meus gatos não são para qualquer um, não. Faço entrevista prévia, visito a casa e vejo as condições dos interessados. E só depois de assinado um contrato de direitos e deveres é que entrego um dos exemplares das minhas ninhadas.”

E que ninhadas. Miaurisa exibe em seu ateliê felino espécimes tão lindos quanto caros: cada gato não sai por menos de mil reais, e a gatóloga admite que chegou a vender um único exemplar por 4 mil. “Não são caros, o que se passa é que todos têm pedigree reconhecido internacionalmente, com autenticidade e pureza genética, além de serem vacinados e bem tratados.”

Em sua Casa do Gato, Miaurisa exibe exemplares de gatos que ressaltam aos olhos por sua elegância, beleza e... odor. Perfumados, bem escovados e atenciosos. Persas silver shaded, engraçados e carinhosos de cara amassada, vão do branco ao cinza forte. Exotiques, mistura de persa com o pelo curto americano. O british shorthair (lindo exemplar inglês de pelo azul-acinzentado), himalaians seal point (elegante variedade de persa com pelos longos e manchas escuras nas pontas das orelhas, patas e rabo) e outros tantos.

Sobre o que esses gatos fazem – além, é claro, de miar, comer e dormir o dia inteiro –, a gatóloga explica, fazendo ressaltar seu lado místico: “Você por acaso não sabia que o gato é o ser mais mágico de todos os animais? Ele limpa as energias de sua casa, harmoniza sua frequência vibratória, cura suas- depressões, tristeza e maus sonhos. Só por isso deveriam valer milhões!”

Com toda a sua experiência de mais de 30 anos com os bichanos, Miaurisa criou uma terapia, segundo ela inédita em todo o mundo: a Gatoterapia. Ela ainda não quer detalhar essa técnica, mas adianta um resumo do que será seu próximo livro, Gatoterapia – A arte de se cuidar através dos gatos: “Trata-se de uma ‘maiêutica felina’, em que o paciente, por meio de brincadeiras, carinhos e jogos específicos, se deixará ser tratado pelos gatos-terapeutas. São os bichanos que indicarão o diagnóstico e a forma de tratamento. E olha que eles curam 90% dos problemas psicossomáticos.

Sobre se atende muitas pessoas com a sua Gatoterapia, Miaurisa responde, com leve expressão de tristeza, que a quantidade de gatos-terapeutas em seu poder são insuficientes, por causa do decreto imposto (injustamente, segundo ela) pela Prefeitura de São Paulo a partir de 2002. O decreto, de número 41.685 em seu artigo 16, institui: “Não serão permitidos a criação, o alojamento e a manutenção de mais de 10 (dez) animais... em residência particular, com idade superior a 90 (noventa) dias”.

“Com essa quantidade ínfima”, reclama Miaurisa, “é praticamente impossível fazer tratamentos adequados, pois para uma gatoterapia ideal são necessários, no mínimo, dez exemplares dessa espécie felina. Portanto, com esse decreto municipal, a quantidade de ‘gatopacientes’ fica limitada.”

Enfatizando a “injustiça” do decreto que limita o número de gatos por casa, Miaurisa explica que, ao contrário dos cachorros e outros bichos, os gatos não incomodam ninguém, “é o ser mais livre, pacífico e quieto que se conhece, além das tartarugas. Ao contrário, eles até valorizam a casa, pois não sujam em qualquer lugar, não destroem os móveis nem mordem visitas”.

A gatoterapeuta comenta seus próximos, e por enquanto secretos, projetos de divulgação da beleza e inteligência dos felinos, e que serão um grande sucesso, exatamente como a sua Gatonovela, uma espécie de radionovela de gatos (onde os personagens felinos conversam entre si e passam mensagens para os humanos; o programa ficou no ar por cinco anos).

Segundo Miaurisa, sua missão é muito mais que vender e cuidar de gatos. É um apostolado: “Espero que minha jornada no ‘Mundo dos Gatos’ venha a continuar trazendo benefícios não somente para os donos, mas principalmente para o bicho gato, pois todos os gatos do mundo moram dentro do meu coração”.

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