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Reforma Agrária

Manifestantes ocupam prédio do instituto Lula

por Redação Carta Capital — publicado 23/01/2013 13h16, última modificação 23/01/2013 13h29
Eles protestam contra reintegração de posse do assentamento Milton Santos. MST diz que não participou do protesto

Integrantes do assentamento Milton Santos, de Americana, interior de São Paulo, ocuparam a sede do instituto Lula, na zona sul da capital paulista, nesta quarta-feira 23. Segundo informações do portal G1, a ocupação teve início por volta das 6h30 e a Polícia Militar negociava a saída dos cerca de 50 manifestantes. Diretores do instituto se encontraram com os manifestantes, mas não se pronunciaram sobre o assunto. O ex-presidente não está no local.

Eles protestam contra a possibilidade de reintegração de posse do assentamento, que pode ocorrer a qualquer momento a partir do dia 24 deste mês, quando vence o prazo dado pela Justiça.  Manifestantes já haviam ocupada há uma semana, na quarta-feira 16, a sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e São Paulo.

Em nota divulgada à imprensa, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), que havia tomado parte nos protestos da semana passada, disse que não participa da manifestação. “Os protestos organizados pelo MST têm como orientação geral denunciar os verdadeiros inimigos da reforma agrária, como o agronegócio, o latifúndio, o Poder Judiciário e a imprensa burguesa e pressionar os órgãos de Estado para que façam a Reforma Agrária.”

A área em questão pertence aos Abdalla, tradicional família local, e foi confiscada na década de 1970 em razão de uma dívida com a União. Desde então, há um imbróglio judicial e, em dezembro de 2005, cem hectares de um total de 18 mil foram ocupados por trabalhadores sem-terra. Atualmente, 70 famílias (300 pessoas) residem no local.

Na última terça-feira, a comunidade recebeu um mandado de reintegração de posse, solicitado pelos Abdalla e concedido pelo desembargador federal Luiz Stefanini, o mesmo magistrado que ordenou o despejo dos índios Guarani-Kaiowá em uma área de conflito no Mato Grosso do Sul.

Um levantamento feito por CartaCapital indica que o assentamento é reconhecido por uma portaria do governo federal, pelo Incra, e já recebeu fomento para a construção de casas. As lonas pretas ficaram no passado.

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