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Manifestações: lembranças da Rio+20

por Dal Marcondes publicado 21/06/2013 13h40
Sempre que os políticos acreditam que sabem todas as respostas, a sociedade muda as perguntas
Mídia NINJA
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Sempre que os políticos acreditam que sabem todas as respostas, a sociedade muda as perguntas

Da Envolverde

Muita gente se assombra de ver as multidões que estão tomando conta das ruas brasileiras como se fosse um fato inédito neste século. Na mídia fala-se do movimento “Fora Collor”, do início dos anos 90 e das manifestações pelas eleições diretas, em meados dos anos 80. Mas não é preciso ir tão longe no tempo. No ano passado as ruas do Rio de Janeiro foram tomadas por manifestantes de todas as tribos com as mais diversas bandeiras. Havia índios, estudantes, ambientalistas, militantes urbanos, causas de todas as cores e tipos para a escolha do freguês, acontecia a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável..

Terminada a conferência a mídia, que em sua maior parte só teve olhos e câmeras para os aspectos mais pitorescos, abandonou o tema para dar foco a seus temas prediletos: crime e futebol. Mas aqueles manifestantes não desistiram de seus ideais e não abandonaram as bandeiras que carregaram com tanto vigor pelas ruas do Rio e pelo acampamento do Aterro do Flamengo, apenas voltaram para casa para avaliar, conversar e fazer um balanço do que foi a conferência.

Estamos a uma ano da Rio+20. Nenhuma das bandeiras nas ruas é de fato nova ou estranha em manifestações populares. São todas bandeiras que já frequentam rodas de conversa de estudantes e militantes sociais pelo Brasil a fora, apenas não tinham um elemento catalizador para retomar a luta nas ruas. Os 20 centavos serviram como uma luva para arrancar as bandeiras do marasmo e jogá-las de novo na boca do povo.

A luta por mobilidade urbana de qualidade, transporte público, contra a corrupção e uma fiada de outras palavras de ordem nunca foram aposentadas, de quando em quando ganham mais vivacidade. A democracia tem disso, o povo fala. Na maior parte do tempo ele fala e ninguém escuta, mas às vezes ele berra a pleno pulmão e não dá para ignorar.

Num primeiro momento, claro, são os prefeitos que devem dar uma resposta rápida e atuar no preço e na qualidade do transporte urbano, mas não se pode parar por ai. Há demandas urgentes que estão sendo empurradas para baixo do tapete em áreas críticas como saúde, saneamento e educação. Há a necessidade de criar oportunidades de trabalho e renda para milhões de jovens que estão chegando à idade do trabalho e não conseguem ver perspectivas à frente e há, também, a necessidade de o Brasil parar de ignorar suas mazelas como um sistema judiciário ineficaz e um sistema penal medieval.

Ao observador atento as ruas estão dando muitos recados. Em 2012 tivemos manifestações tranquilas e pitorescas no Rio de Janeiro, em 2013 estamos tendo manifestações sérias e ainda pacíficas em sua maior parte mostrando que há muita coisa sendo demandada e os governos ainda não estão conseguindo compreender. Em 2014 teremos Copa do Mundo e Eleições da Presidência da República, a sociedade sem resposta irá certamente se manifestar, e não apenas no voto.

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