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Paulo Malhães: laudo sugere infarto

por redação — publicado 26/04/2014 23h39, última modificação 27/04/2014 00h17
Guia de sepultamento cita "miocardiopatia"; peritos afirmam que esta conclusão só seria possível com exames detalhados, o que não ocorreu
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A guia de sepultamento de Paulo Malhães

A guia de sepultamento do coronel da reserva Paulo Malhães sugere como causa de sua morte um ataque cardíaco. No documento, que é emitido para possibilitar o enterro da vítima, a causa mortis é descrita como “edema pulmonar, isquemia do miocárdio, miocardiopatia hipertrófica, evolução de estado mórbido [doença]”.

O corpo do militar, que admitiu a prática de tortura durante a ditadura militar, foi enterrado na tarde deste sábado 26, no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele morreu nesta quinta-feira, quando três homens invadiram sua residência, onde também estavam sua esposa e um caseiro, no interior do município. Do local, foram levadas diversas armas que Malhães colecionava e também computadores.

Membros da Comissão da Verdade Nacional e da comissão carioca falaram abertamente sobre a hipótese de queima de arquivo a diversos veículos de imprensa.

No cemitério, parentes evitaram falar com os jornalistas. “A gente enterrou hoje o pai, o esposo, o avô das meninas. O coronel, o tirano, é para vocês. Para gente, ficou só o pai. O coronel da ditadura não era este que a gente conhecia”, disse a filha do militar, que se identificou apenas como Carla.

O genro do coronel da reserva, Nelson Viana, disse que a família não tinha ideia do que realmente teria acontecido na casa do militar. “Dizem que foi um assalto. Nós não temos hipótese.” Perguntado se Malhães sofria algum tipo de ameaça, Viana negou. “Ele nunca falou nada e a gente sempre respeitou isso. Nem antes, nem depois [do depoimento à Comissão Nacional da Verdade]. Ele sempre foi uma pessoa super reservada. Nunca comentou nada e a gente até foi surpreendido pelas entrevistas.”

O jornal Folha de S. Paulo ouviu dois peritos que relativizaram o laudo. Paulo Saldiva, patologista da USP, afirmou ao jornal que é “pouco provável” que a morte tenha sido causada por infarto e que, para chegar a tal conclusão, o cadáver deveria ter passado por um exame mais sofisticado --o que não ocorreu. Para o perito legista Levi Miranda, “é prematuro afirmar que a causa da morte do coronel foi infarto ou miocardiopatia”. Miranda também ressalta que o diagnóstico exato teria sido possível apenas com exames mais minuciosos.

Em depoimento à comissão, há um mês, o coronel Malhães foi o primeiro militar a admitir prática de tortura, assassinatos e ocultação de cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar, tendo inclusive falado sobre o destino do corpo do deputado Rubens Paiva, morto pelos militares em 1971, mas até hoje não localizado, que teria sido jogado ao mar.

Com informações da Agência Brasil.

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Assista os principais trechos do depoimento de Malhães à Comissão da Verdade: