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Mais um rico fora da cadeia

por Redação Carta Capital — publicado 03/03/2011 09h26, última modificação 03/03/2011 09h26
O fundador da Gol tem ordem de prisão decretada, mas ficará em casa. Da Redação

O fundador da Gol tem ordem de prisão decretada, mas ficará em casa

O juiz João Marcos Guimarães, do Tribunal do Júri de Taguatinga (DF), decretou na terça-feira 1º a prisão preventiva, em regime domiciliar, do empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas e proprietário das maiores frotas de ônibus do País. Esta é a terceira ordem de prisão contra o empresário de 79 anos. Mais um rico que não vai diretamente para a cadeia. Da última vez, em dezembro do ano passado, ficou detido em um hospital de Brasília por quatro dias, tempo suficiente para conseguir um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Constantino é acusado de obstruir a Justiça e de mandar matar uma testemunha do processo em que responde pelo assassinato do líder comunitário Márcio Leonardo Brito. O militante teria invadido o terreno de uma empresa de ônibus de Constantino em 2001. O empresário é ainda suspeito de tentar matar um ex-genro em 2008, motivado por disputas pelo patrimônio da família. O empresário nega as acusações.
Constantino tinha um depoimento marcado para o mesmo dia em que a prisão foi decretada, mas não compareceu sob alegação de problemas de saúde. O cardiologista da família declarou que o fundador da Gol é hipertenso e “necessita de cuidados médicos constantes”. Perguntado se o empresário corria risco de sofrer um ataque cardíaco, Bonfim Tobias declarou: “Um senhor de 79 anos que tem problemas coronarianos sempre corre risco”.

Outras sete testemunhas do assassinato de Brito foram convocadas a depor. Entre elas estava o pistoleiro João Marques dos Santos, que confessou ter participado de oito homicídios a mando de Constantino. Na sexta-feira 18 de fevereiro, Santos levou três tiros quando saía de casa para atender a um chamado, em Águas Lindas, no Distrito Federal, mas conseguiu escapar com vida. O matador encontra-se sob proteção policial.

A Gol Linhas Aéreas não quis se manifestar sobre a prisão, sob a alegação de que se trata de assunto pessoal. Embora tenha participado do conselho que criou a Gol, hoje administrada por seus filhos, Constantino está afastado de suas funções desde 2001, segundo a companhia aérea.

A família Constantino é dona de uma das maiores fortunas do País. Juntos, os quatro filhos de Nenê – Henrique, Joaquim, Ricardo e Constantino Jr., o presidente do Gol – possuem um patrimônio estimado em mais de 4,5 bilhões de dólares.

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