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Marabá

Justiça absolve acusado de mandar matar casal de extrativistas no Pará

por Redação Carta Capital — publicado 04/04/2013 20h06, última modificação 06/06/2015 18h24
Juri popular entendeu não haver provas contra José Rodrigues Moreira pela morte de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna

Cerca de dois anos após o assassinato dos extrativistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna, no Pará, o julgamento do caso foi concluído. Nesta quinta-feira 4, os jurados absolveram José Rodrigues Moreira, acusado de ser o mandante do crime, por falta de provas. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri de Marabá. As informações são do Twitter do jornalista Felipe Milanez, colaborador de CartaCapital. 

O irmão dele Moreira, Lindonjonson Silva Rocha, e Alberto Nascimento, acusados de serem os executores, foram condenados por homicídio qualificado.

Rocha foi setenciado a 42 anos e 8 meses de prisão, e Nascimento a 45 anos. As penas foram elevadas devido ao crime ser enquadrado como homicídio duplamente qualificado. Havia ainda os agravantes de motivo torpe, crueldade e impossibilidade de defesa.

A promotoria anunciou, após a leitura da sentença pelo juiz Murilo Lemos Simão, que vai recorrer da decisão. Segundo Ana Maria Magalhães de Carvalho, promotora no caso, há evidências que comprovam que Moreira havia comprado de grileiros lotes de terra no assentamento, mas havia trabalhadores rurais na área, colocados pelo casal de extrativistas. "Várias testemunhas mostraram que ele perdeu 100 mil reais porque queria expulsar posseiros da terra, de uma área grilada, que ele comprou de uma forma ilegal.”

Como Moreira não conseguiu expulsar os posseiros, defendeu a promotora, decidiu matar o casal.

 

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, representantes de movimentos sociais e sindicalistas protestam contra a sentença com o fechamento da rodovia Transamazônica. Eles também teriam apedrejando o fórum do julgamento, o que levou a polícia a reprimir a manifestação.

O casal, que trabalhava pela preservação do assentamento Praialta-Piranheira e denunciava a ação de madeireiros na região, foi assassinado em uma emboscada em 24 de maio de 2011.

No final do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) homologou um lote da reforma agrária à esposa de Moreira. Ela mantinha um lote no assentamento, que levou ao conflito com os extrativistas que eram contra os interesses do acusado em criar gado na área.

O Incra foi alertado da impossibilidade desta homologação por movimentos sociais e ONGs, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT). Mas percebeu o "equívoco", somente três meses após conceder a terra à Antonia Nery.

O órgão legou um erro e disse que o lote deve ser retomado por processo judicial.

Enquanto isso, CartaCapital A educadora mantém o trabalho extrativista iniciado pelo casal no assentamento.

Com informações Agência Brasil.