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Jornada sem-fim

por André Siqueira — publicado 06/05/2011 10h32, última modificação 13/05/2011 10h24
Efeito da tecnologia: o tempo dedicado às atividades profissionais avança sobre a vida pessoal

É quarta-feira, nove e meia da noite, quando o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, fala a CartaCapital, pelo celular. O vozerio ao fundo, pontuado por avisos de horários de voos, -denuncia sua localização. Enquanto aguarda o embarque- no aeroporto de Brasília, o sociólogo- comenta os resultados de uma pesquisa realizada na Inglaterra, que lhe chamou a atenção por apontar a redução do tempo de descanso dos trabalhadores no fim de semana, de 48 para 27 horas.

Não é difícil, como se vê, constatar empiricamente o avanço do tempo dedicado à atividade profissional sobre as horas livres da população economicamente ativa. Conforme a natureza do trabalho ou serviço prestado, basta ter em mãos um celular ou um dispositivo com acesso à internet para realizar as tarefas exigidas pelo cargo a partir de praticamente qualquer lugar, e a qualquer momento do dia ou da noite.

O site norte-americano Magnify, especializado no tratamento e armazenamento on-line de vídeos, divulgou em abril os resultados de uma pesquisa feita anualmente sobre os hábitos dos internautas. Do total de entrevistados, 76,7% responderam que leem e-mails e os respondem à noite ou no fim de semana, enquanto 57,4% disseram nunca desligar os telefones celulares. Para 43,2% dos entrevistados, é normal escrever mensagens de texto e e-mails em ocasiões sociais ou encontros amorosos. E outros 35,2% costumam responder a demandas do trabalho quando estão com os filhos. Uma das conclusões dos autores é que “o tempo pessoal e o período de trabalho se misturaram, tanto que nem o meio da noite ficou de fora dos limites”.

*Confira a matéria completa na Edição 646 de CartaCapital, já nas bancas