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Indianos já haviam rompido o isolamento da Austrália há 4 mil anos, diz estudo

por AFP — publicado 16/01/2013 10h14, última modificação 16/01/2013 10h14
Evidências genéticas relatam que, diferentemente do que se acreditava anteriormente, a Austrália teve contato com outras civilizações antes da colonização europeia

SYDNEY (AFP) - Indianos antigos migraram para a Austrália e se misturaram aos aborígenes há 4 mil anos, levando o ancestral do dingo (raça de cachorro) com eles, de acordo com uma nova pesquisa que reavalia o longo isolamento do continente antes da colonização europeia.

Acreditava-se que o vasto continente do hemisfério sul havia sido privado do convívio com outras populações até o desembarque dos europeus no final do século XVIII, mas as últimas evidências genéticas e arqueológicas invalidam esta teoria.

Pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, relataram "evidências de fluxo gênico substancial entre as populações da Índia e da Austrália cerca de 4 mil anos atrás".

Eles analisaram variações genéticas de todo o genoma de aborígenes australianos a moradores de Nova Guiné, do sudeste asiático e dos indianos, incluindo dravidianos do sul.

"A visão predominante é que, até a chegada dos europeus no final do século XVIII, havia pouco - ou não havia - contato entre a Austrália e o resto do mundo", observou o estudo divulgado nesta terça-feira.

No entanto, a análise de dados de todo o genoma forneceu uma "assinatura significativa de fluxo gênico da Índia para a Austrália que nós datamos de aproximadamente 4.230 anos atrás", ou 141 gerações.

"Muito antes de os europeus se estabelecerem na Austrália, humanos haviam migrado do subcontinente indiano para a Austrália e se misturado aos aborígenes australianos", disse o estudo.

"Curiosamente", afirmou a pesquisadora Irina Pugach, "esta data também coincide com muitas alterações no registro arqueológico da Austrália, que incluem uma mudança repentina nas técnicas de cultivo e ferramentas de pedra... e a primeira aparição do dingo no registro de fósseis".

O estudo explica que, apesar do DNA do dingo parecer ter sua origem no sudeste asiático, "morfologicamente o dingo se assemelha mais a cães indianos".

"O fato de detectarmos um fluxo de entrada substancial de genes da Índia para a Austrália nesta época sugere que todas estas mudanças na Austrália podem estar relacionadas a esta migração".

O dingo selvagem (canis dingo) faz parte de uma espécie de lenda australiana, junto com os cangurus, mas muitas vezes este animal é tratado como uma praga, que ataca ovelhas e gado.

Eles percorrem os campos australianos, caçando sozinhos ou em bandos, e se comunicam com uivos similares aos dos lobos.

Acredita-se que o termo tenha sido cunhado pelos primeiros colonos a partir de uma palavra aborígene com som similar que significava um cão domesticado.

Também foi descoberta uma origem comum entre as populações da Austrália, Nova Guiné e Filipinas, que seguiram uma rota de migração em direção ao sul para fora da África há mais de 40.000 anos atrás.

Os pesquisadores estimam que os grupos se separaram há cerca de 36.000 anos quando a Austrália e a Nova Guiné formavam apenas uma massa de terra.

"Fora da África, os aborígenes australianos são a mais velha população contínua no mundo", disse Pugash, um antropólogo molecular.

A Austrália oferece algumas das primeiras evidências arqueológicas para a presença de seres humanos fora da África, com sítios datados em pelo menos 45 mil anos atrás.

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