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Horta na Praça para o Povo

por Milton Nogueira — publicado 10/07/2010 16h05, última modificação 13/08/2010 16h08
As cidades brasileiras têm muitas áreas públicas abandonadas, onde poderia haver uma horta comunitária

As cidades brasileiras têm muitas áreas públicas abandonadas, onde poderia haver uma horta comunitária

Uma horta na praça pode produzir hortaliça, verdura e legume tão orgânicos quanto os da roça e, principalmente, dar diversão e atividade social em áreas urbanas. As cidades brasileiras têm muitas áreas públicas abandonadas, onde poderia haver uma horta comunitária. Prefeituras seriam beneficiadas com preservação da área pública, controle de delinqüência e humanização de comunidades.

Plantada e mantida por vizinhos voluntários, a horta teria trabalho na medida da capacidade e interesse de cada um. Idosos e aposentados iriam fazer algo fora de casa, em comunidade. Famílias teriam divertimento bom, tranqüilo, longe da TV e socialmente ajustado. Cidades alemãs e austríacas, por exemplo, têm quarteirões de jardins e hortas, onde as famílias cultivam hortaliças e flores. Em outros países a horta é plantada nas áreas laterais de ferrovias, obviamente fora da cerca de segurança.

Obtida a permissão de uso da área livre, os vizinhos formariam um conselho para criar princípios gerais de planejar, obter licenças, instalar canteiros, plantar mudas, regar, repartir colheita e dirimir pendências. Orientado para o fim social, o conselho daria apoio aos participantes e seus familiares.

Há quem liste 47 obstáculos para fazer tudo isso, mas não é tradição as cidades do Brasil afora terem atividades comunitárias? Exemplos são as quermesses, festas religiosas, festa da uva, mutirão, festa da Itália, campanhas de roupa usada e sopa social. Da mesma forma, lideranças populares surgirão para prover ânimo e emoção para a horta na praça. Resolver os obstáculos seria, em si mesmo, um aprendizado social importantíssimo de tolerância, aceitação e cidadania. Mens sana in fructu sano.

Os governos federal e estaduais têm pessoal e dinheiro para apoiar voluntariado social e a produção de alimentos. A Fundação Banco do Brasil, por exemplo, já instalou centenas de hortas comunitárias em áreas rurais do Brasil. Desenhadas como uma mandala, têm no miolo um galinheiro envolvido por canteiros e, por fora, um pequeno pasto para cabras ou uma vaquinha. O produto pertence a quatro ou seis famílias que ali trabalhem, que vendem o excedente.

Uma horta ou jardim na cobertura de prédios, seria bom para cidades grandes, tal como na China. Vi, em 2007, que Xangai tem vários edifícios moderníssimos e futurísticos cujas coberturas não têm apartamentos, mas, sim, hortas ou jardins chineses. A horta na cobertura é usada e cuidada pelos próprios moradores do prédio no plantio, cuidado, coleta e entrega. Lindo, civilizado, ponto de praticar tai-chi, yin-yang, meditação ou simplesmente lazer. Idosos e crianças são os que mais usam a horta. E os 47 obstáculos? Claro que há, mas quem sabe os moradores não os resolverão?