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Sociedade

Mapa da Violência

Homicídios aumentam no Nordeste e diminuem no Sudeste

por Clara Roman — publicado 15/12/2011 21h12, última modificação 15/12/2011 21h16
Com exceção de Pernambuco, os estados nordestinos apresentaram aumento nas taxas de violência. Pobreza e tráfico explicam os dados, segundo especialista
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Tráfico de drogas pode ser uma das razões para o aumento da violência no nordeste

Enquanto diminui na maior parte do Sudeste, a violência aumentou exponencialmente nos estados nordestinos. O Mapa da Violência, divulgado na quarta-feira 14 pelo Instituto Sangari, mostra que, com exceção de Pernambuco, o número de homicídios cresceu em todos os demais estados da região, mesmo com o boom econômico dos últimos cinco anos. No período, três estados do sudeste - São Paulo e Rio de Janeiro e Espírito Santo - apresentaram redução nas taxas de homicído. Apenas Minas Gerais registrou aumento.

Jorge Jatobá, consultor da Ceplan, aponta que a escalada da violência no nordeste é um dado antigo, vinculado, sobretudo, ao tráfico de drogas e à pobreza. “A região assiste à disseminação das drogas e do narcotráfico em muitas cidades do interior de porte médio”, diz ele.

A violência, da mesma forma, se espalha pelos municípios médios e na região metropolitana. Mesmo assim, as capitais ainda concentram taxas mais altas de homicídio. Maceió, capital do Alagoas e considerada a mais violenta do país, concentra cerca de metade das mortes violentas do estado. Ao mesmo tempo, na Bahia, a zona da mata concentra a maior parte dos municípios com taxas de homicídio acima da média nacional.

Pernambuco, considerado o estado mais violento no início da década, teve redução de cerca de 28% nas taxas de homicídio nos últimos dez anos. No último mapa, Alagoas lidera o ranking. Para Jatobá, o estado tem enfrentado as milícias e grupos de extermínio através de políticas públicas e do programa Pacto pela Vida.
Enquanto a região apresentou desenvolvimento econômico acima da média nacional, a diminuição da pobreza não apresenta o mesmo crescimento. Cerca de 3,41% do Sudeste vive na pobreza extrema. No Nordeste, este número é de 18,4%.

“Se há uma taxa de crescimento acentuado sem políticas públicas, a tendência é que a criminalidade aumente também”, diz ele.

Além disso, existe uma cultura de violência impregnada, segundo Jatobá. “No interior, havia vazio do estado. Assim, a criminalidae surgiu como cultura. Coisas pessoais que poderiam se resolver de uma maneira tranquila são resolvidas a base da bala”, diz ele.  Já a violência urbana ainda é muito ligada ao tráfico de drogas e às disputas pelo seu controle.

Outro fator, explica Jatobá, é de que Salvador e Recife, assim como o Rio de Janeiro, possuem uma convivência muito maior entre os setores pobres e ricos da cidade, ao contrário de São Paulo, onde há uma divisão espacial clara entre classes sociais: as mais baixas, moram nas periferias distantes do centro.

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