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Sociedade

Fórum de Interesse Público

Grupo de estudos sobre corrupção da UFMG passa a escrever coluna

por Redação Carta Capital — publicado 31/05/2011 17h00, última modificação 31/05/2011 17h45
Com base nos estudos desenvolvidos pelo Centro de Referência do Interesse Público, o espaço abordará temas como democracia participativa, sociedade civil e instituições públicas

Leonardo Avritzer, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, é integrante do grupo de especialistas que, a partir de amanhã, se revezará na coluna “Fórum de Interesse Público”.

Com base nos estudos desenvolvidos pelo Centro de Referência do Interesse Público (Crip), da UFMG, do qual o professor faz parte, o espaço abordará temas como corrupção, democracia participativa, sociedade civil e instituições públicas. O objetivo, diz Avritzer, é mostrar que, diferentemente do que apregoa o senso comum, não se pode “naturalizar” o fenômeno da corrupção como algo enraizado na cultura brasileira.

Na coluna que passa a ser publicada a partir de amanhã, o leitor tomará conhecimento, por exemplo, de que maneira essa percepção está disseminada na própria cultura popular, inclusive por meio de músicas que festejam a figura do malandro, o agente que precisa aplicar golpes para sobreviver. “Em relação ao Estado, existe um discurso. Mas, em relação à cultura, há um conjunto de músicas que elogiam um tipo de postura que é condenada quando se trata do Estado. Já a figura do malandro tem essa conotação: ele é admirado ao aplicar práticas questionáveis para sobreviver”.

Segundo o professor, para se entender o fenômeno da corrupção, é preciso conhecer a formação de política brasileira, a formação do que é público. “A identidade pública no Brasil foi muito pouco trabalhada, desde Portugal, que pagava mal os funcionários das colônias, mas permitia que eles tivessem negócios privados”.

Alguma semelhança com as suspeitas recentemente levantadas sobre o enriquecimento do ministro Antonio Palocci e sua empresa de consultoria? “Isso vem de longe. E a resposta do Palocci é a mesma: ‘fiz o que todo mundo fez’”.

Avritzer considera que a coluna terá como missão acompanhar os desdobramentos de episódios de corrupção na Justiça brasileira, já que, em sua avaliação, a mídia, em geral, não costuma acompanhar o caso até o fim. “A opinião pública sabe que têm sempre casos de corrupção no País, mas não sabe como esses casos terminam, nem as formas de aperfeiçoamento das instituições para que o problema não se repita. Esse aprimoramento não é tão bem acompanhado”.

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