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Sociedade

Clara Roman

Discriminação

27.09.2011 15:58

Mais uma da Amélia Bündchen

Em campanha publicitária, a modelo ensina a seduzir o marido após bater o carro ou estourar o limite do cartão de crédito. Por Clara Roman. Foto: Reprodução

Menos de uma semana depois de o Brasil enviar a primeira mulher para abrir uma Assembleia Geral das Nações Unidas, a marca de lingeries Hope reforçou um outro tipo de imagem da mulher brasileira em sua nova campanha publicitária. Quem protagoniza a peça é a modelo Gisele Bündchen, que exibe o corpo impecável com as roupas da empresa.

“Você é brasileira. Use seu charme” é a mensagem-chave da publicidade. No comercial, a top ensina o modo “certo” de assumir pequenos deslizes para seu marido e traduz, em poucos minutos, os estereótipos que há anos grupos feministas tentam derrubar.

Gisele tem a difícil missão de contar ao cônjuge alguns de seus pecados, como estourar o limite do cartão de crédito e bater o carro do maridão. Para se safar da fúria do homem, ela precisa usar seus dotes “genuinamente brasileiros”.  O que consiste em exibir o corpo escultural de lingerie e dizer, com um leve gingado, as atrocidades cometidas contra o provedor da casa.

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E o modo 'errado'. Foto: Reprodução de vídeo

Não bastasse o estereótipo da mulher que, sem trabalho, acaba por descontrolar-se nas compras e gastar todo o dinheiro do casal – com o retoque do mito ‘Mulher no volante, perigo constante’ – a propaganda ainda reforça o ideário destinado à brasileira, a da sedutora inverterada.

Vale lembrar do recente caso com brasileiras na Europa, que sofrem com preconceito associado à imagem da prostituição e do charme do corpo.

Ao mesmo tempo em que consagra o modelo da mulher-objeto, a propaganda desqualifica aquela que não carrega o modo sedutor de ser. Uma conversa sem performances de sedução – e com roupas – é tida como “errada”.

Não é um caso isolado. A estereotipação de mulheres na indústria da propaganda é corriqueira e altamente discriminatória. No mundo dos publicitários, aparentemente, o sexo feminino é aquele destinado às tarefas domésticas (em comerciais de produto de limpeza) ou à satisfação masculina nas propagandas de cerveja, em que o produto é associado com o companheirismo entre amigos, fim de expediente e atrizes exuberantes.

Ao apelar para a identificação entre a espectadora e a modelo, o comercial constrange a brasileira que busca se libertar justamente da imposição do tal “charme brasileiro”.

Existe um outro movimento ao retratar o universo feminino dentro da publicidade, conectado à realidade da mulher contemporânea, na inserção no mercado de trabalho e no compartilhamento da renda do lar.  Ainda muito discretamente, no entanto, a publicidade sequer se aproxima de dar conta do complexo cenário em que se enquadra  o feminino no Brasil.

Por enquanto, a propaganda ainda se encontra a anos-luz das conquistas do movimento feminista, da emancipação feminina e da construção de um ideário de igualdade entre os sexos.

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Sua opinião

  1. hayashi disse:
    A Secretaria está de parabéns,e a julgar alguns comentários machistas,ainda está longe o dia em que a mulher será considerada um ser humano pleno no Brasil.Mas como foi bem colocado em um dos raros comentários sensatos: depende de nós mesmas.Nós é que temos que mudar de postura,parar de nos nivelarmos a objetos sexuais.Não adianta tira o comercial da Hope,da Devassa,seja de quem for,enquanto dúzias de mulheres rebolarem nuas num carnaval,se atirarem aos pés de jogadores de futebol,e terem tantas outras atitudes que só reforçam esteriótipos machistas contra nós mesmas.Se não existem projetos educacionais visando tal objetivo,aí realmente soa um tanto hipócrita este policiamento aos comerciais.
  2. hayashi disse:
    Claro,claro...se você como mulher não leva uma agressão machista á sério e ainda a defende,como espera que nossos direitos sejam levados á sério? Tudo passa a ser uma grande piada: tráfico de mulheres,violência doméstica,estupro..aliás,até piada de estupro fazem hoje em dia e se espamtam quando o culpado não é punido! Por que ele seria punido? Nós mulheres não achamos o máximo pegadinhas comerciais machistas? Por que queremos nosso espaço na política,mercado de trabalho,salários justos,etc se basta usarmos lingerir e voi a lá,temos tudo aos nossos pés? Acorda! O machismo feminino é que sustenta este sistema perverso.
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