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Sociedade

Conflito de terras

Mais um índio é baleado em MS e Força Nacional de Segurança vai intervir

por Redação — publicado 05/06/2013 09h31
Tropa federal será enviada a pedido do governador do estado, André Puccinelli. Governo recebeu informações de que mais um indígena foi baleado em conflito com fazendeiros na região de Sidrolândia
Jose Cruz / ABr
Mato Grosso do SUl

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo fala sobre a questão indígena em Mato Grosso do Sul nesta terça-feira 4

Com informações da Agência Brasil*

Brasília - A Força Nacional de Segurança (FNS) será enviada ao município de Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, palco de conflito entre indígenas e produtores rurais, onde na última quinta-feira 30 um índio foi morto a tiros durante uma operação, comandada pela Polícia Federal, de desocupação de uma fazenda. A tropa federal será enviada a pedido do governador do estado, André Puccinelli. Nesta terça-feira 4, o governo recebeu informações de que mais um indígena foi baleado em conflito com fazendeiros na região de Sidrolândia. O índio é da etnia Terena Josiel Gabriel Alves, de 34 anos, e deu entrada no Hospital Sociedade Beneficente Dona Elmiria Silverio Barbosa às 16h30.

Exames indicaram que a bala ficou alojada próximo à coluna cervical, o que determinou sua transferência para a Santa Casa de Campo Grande. Segundo a Agência Brasil, Mara Gonçalves, funcionária da Sociedade Beneficente, disse que o índio saiu do hospital consciente, estável e conversando, mas não descartou a possibilidade de sequelas no sistema motor.

Desde o último dia 15, índios terenas ocupam a Fazenda Buriti. A ordem de reintegração de posse a favor do proprietário foi prorrogada, mas o prazo para cumprimento vence nesta manhã de quarta-feira 5. O governo, por meio da Advocacia-Geral da União, tenta mais prazo para negociar a saída dos indígenas da fazenda.

No total, 110 homens da Força Nacional serão deslocados para a região. Eles começam a ser mobilizados, ainda esta noite, por via terrestre, de acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Outra parte da tropa seguirá amanhã de avião. Além do envio da Força Nacional, Cardozo disse que o efetivo da Polícia Federal será ampliado no estado em função do acirramento dos conflitos.

“O governador Puccinelli pediu ao Ministério da Justiça a Força Nacional de Segurança, para que nós pudéssemos atuar na região de Sidrolândia tendo em vista a elevação do conflito hoje à tarde. O pedido já chegou e nós deferimos”.

Na quinta-feira 6, o governo vai receber os indígenas em uma reunião no Ministério da Justiça a fim de tentar negociar um acordo para desocupação pacífica da área.

Em Mato Grosso do Sul, a Força Nacional de Segurança vai estar submetida ao comando da Polícia Militar e a da Secretaria de Segurança do estado, segundo Cardozo. A situação não impedirá, por exemplo, que a tropa atue na desocupação da fazenda, caso a Justiça determine que a tarefa seja cumprida pelas forças policiais do estado. “A Secretaria de Segurança de Mato Grosso do Sul é que vai determinar o papel que terá a Força Nacional de Segurança. A partir daí o que fazemos é uma contribuição ao governo do estado, o comando é do estado”, disse. De acordo com o ministro, a Força Nacional permanecerá no estado pelo “tempo que for necessário”.

Apesar do acirramento dos ânimos, Cardozo espera que os conflitos sejam resolvidos sem uso da violência. “O governo espera o entendimento, faz um apelo a todas a partes envolvidas no conflito, na linha de que ninguém vai conseguir satisfazer direito acirrando conflitos, usando violência, não é essa a forma. Não é a violência a forma de resolver o conflito. Fazemos um apelo às lideranças de todos os envolvidos de que façam uma pactuação, não caiam na violência”.

*Publicado originalmente na Agência Brasil

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