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Evolução acelerada

por Redação Carta Capital — publicado 03/12/2010 10h22, última modificação 03/12/2010 10h22
Resultados do Censo 2010 mostram que o Brasil amadurece mais rápido do que se esperava

Resultados mostram que o Brasil amadurece mais rápido do que se esperava

A população de 190,73 milhões de habitantes computada pelo Censo de 2010 parece bem grande em termos absolutos. Mais que dobrou desde os “noventa milhões em ação” da Copa de 1970 e mantém o País em quinto na classificação mundial. Mas o importante é que é menor do que se esperava: a projeção do IBGE era de 193,25 milhões: “Faltam” 2,52 milhões.

Apesar das eternas queixas da classe média sobre o excesso de filhos dos pobres e o suposto estímulo do Bolsa Família à sua proliferação, a taxa de natalidade caiu mais rapidamente do que o esperado. O número de filhos por mulher, perto de 1,8, está abaixo da taxa de reposição e tende a cair à medida que mais jovens, principalmente mulheres, priorizem os estudos, o trabalho e o consumo e adiem a formação de família. Se persistir a tendência e não houver movimentos de imigração, a população brasileira se estabilizará entre 210 milhões e 220 milhões por volta de 2030, para depois diminuir.

Por um lado, não há mais desculpas para não melhorar a qualidade do ensino fundamental: já é quase universal e não há pressão populacional à qual sacrificá-la. Por outro, o Brasil terá de enfrentar, mais cedo do que esperava, os problemas do amadurecimento demográfico e consequente pressão sobre a Previdência que hoje afeta a Europa, pois enquanto há menos jovens, os idosos vivem mais: em 1980, quem chegava aos 60 podia esperar, em média, viver mais 16 anos; hoje, mais 21.

Em 1.648 dos municípios brasileiros, cerca de 30%, a população caiu em relação a 2000, em geral pela migração a áreas economicamente mais dinâmicas, notadamente para a fronteira do agronegócio (Norte e Centro-Oeste) e para cidades médias, de 100 mil a 2 milhões de habitantes. Um dos resultados é que 116 municípios têm hoje mais eleitores que habitantes, visto que os Títulos de Eleitor custam mais a migrar. Não adianta elucubrar conclusões políticas sobre a abstenção: em geral, não significa mais que relutância em enfrentar a burocracia das seções eleitorais.

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