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Esporte nacional

por Socrates — publicado 28/07/2010 11h32, última modificação 28/07/2010 11h32
É necessário que tenhamos conta da importância de uma verdadeira política de Estado para que utilizemos o esporte como agente de cidadania

É necessário que tenhamos conta da importância de uma verdadeira política de Estado para que utilizemos o esporte como agente de cidadania

Na sexta-feira, 5 de junho, o presidente Lula discursou durante cerimônia da 3ª Conferência Nacional do Esporte, que busca elaborar um novo plano decenal do qual alguns pontos são de extrema relevância para o segmento. Um deles, que já devia ter sido atacado há muito, é o da democratização da gestão esportiva. Infelizmente, nestes quase oito anos de mandato, este governo pouco fez em relação ao tema. E a outros também. É necessário que tenhamos conta da importância de uma verdadeira política de Estado para que utilizemos o esporte como agente de cidadania, atuando, principalmente, como ferramenta de educação e promotor de saúde.
Em poucos anos, teremos uma Copa do Mundo e uma Olimpíada a ser realizadas em nosso país. Serão oportunidades especiais, que podem gerar muita coisa positiva para o cidadão brasileiro. A preparação dos dois eventos terá necessariamente de servir como referencial para o futuro do desporto no Brasil.
Que essa Conferência possa encaminhar de verdade – e não mais elaborar um documento confeccionado para não ser executado – o futuro do nosso esporte e, por conseguinte, promover mais desenvolvimento ao País. Não esqueçamos que para cada unidade de moeda investida no esporte economizamos quase quatro na área de saúde. E que para adquirir conhecimento, tão necessário a uma nação que sonha ser de Primeiro Mundo, é fundamental que cada brasileiro saiba exatamente qual é o seu papel social e que através do esporte, a um custo baixíssimo, teremos condições de educar a todos.

Copa do Mundo
O momento mais marcante da partida entre Brasil e Coreia do Norte, em nossa estreia, foi protagonizado pelo centroavante coreano antes mesmo de começar o confronto. Seu choro ao ouvir o Hino Nacional de seu país foi emocionante. Lembrei da minha primeira Copa e do que senti ao ouvir o nosso Hino. Se não lacrimejei, foi por muito pouco. Estar ali e representar o meu povo como capitão daquele time provocou um sentimento único em minha vida. Tenho certeza de que valeu a pena ter perseguido uma oportunidade como aquela só por causa da emoção daquele instante.
Gostei, mas não muito, da atuação do nosso time. Do placar, não. Em um grupo que, eventualmente, pode ser equilibrado, um resultado melhor seria muito interessante. Vendo a partida entre Costa do Marfim e Portugal, pudemos sentir que não teremos muita facilidade para passar por eles a não ser que consigamos melhorar o suficiente. Nesse jogo contra os norte-coreanos demoramos a explorar convenientemente o nosso lado direito, que claramente era o único, desde o início, que levava vantagem contra a linha de cinco defensores que os adversários montaram. Quando isso aconteceu, chegamos a uma boa vantagem que poderia ter sido ampliada depois que passamos a comandar as ações. Infelizmente, isso não ocorreu e, pior, tomamos um gol bobo que pode nos custar caro em caso de desempate. De qualquer forma, saímos na frente dos demais e este fato por si só pode permitir mais tranquilidade e confiança, mas ainda falta um pouco de liberdade para a criação individual. Fundamental em uma equipe sem estrutura coletiva saudável.

Nesta primeira rodada, os favoritos já se assanharam e devem ter assustado os demais concorrentes. Brasil, Argentina, Alemanha e Holanda já mostraram a que vieram nesta Copa. Quem conseguiu o melhor resultado foram os germânicos, mas quem realmente assusta é a Argentina. Com Messi jogando o mesmo que mostrou durante toda a temporada, passa a ser a meu ver nosso grande adversário no sonhar por um novo título. Porém, não podemos nos esquecer que os alemães são, como sempre, protagonistas de qualquer mundial. Têm camisa, confiança e altura para pretender qualquer coisa. Já a Holanda corre por fora e mostrou que não vai entregar nada de graça, principalmente se Robben se recuperar e puder jogar o que sabe. Dos que eu creditava como favoritos e acabaram por me frustrar, só a Inglaterra e a Espanha não mostraram um futebol de qualidade com sentimento de campeões. Mas esperemos um pouco para avaliar. De resto, o que mais vimos em campo foi um festival de passes errados e erros de cálculo decorrentes da pouca familiaridade dos jogadores com esta bola que parece mais leve que o normal – ainda que isso não seja desculpa para ninguém, já que todos tiveram contato com a dita--cuja e já deveriam ter aprendido a lidar com ela. •

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