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Copa do Mundo 2022

Escolha do Catar para sede da Copa de 2022 foi negociada, diz jornal inglês

por Deutsche Welle publicado 02/06/2014 09h28, última modificação 02/06/2014 09h28
Segundo o "The Sunday Times", ex-integrante do Comitê Executivo da Fifa Mohamed Bin Hammam repassou 5 milhões de dólares em propinas
Karim Jaafar / AFP

A menos de duas semanas do início da Copa do Mundo no Brasil, novas denúncias divulgadas neste domingo 1 voltam a levantar suspeitas sobre a escolha do Catar para ser a sede da Copa do Mundo de 2022. Segundo publicou o jornal britânico The Sunday Times, Mohamed bin Hammam, ex-representante do Catar na Fifa, teria pago 5 milhões de dólares a dirigentes da federação para obter votos na escolha do emirado como sede da competição.

O jornal afirma estar de posse de documentos que provariam que Bin Hammam, que também foi vice-presidente da Fifa, teria subornado membros da entidade máxima do futebol em troca de apoio à candidatura do Catar um ano antes da escolha, em dezembro de 2010. Bin Hammam teria feito diversos pagamentos a figurões do futebol na África e também a Reynald Temarii e a Jack Warner, respectivamente, ex-membros do Comitê Executivo da Fifa para a Oceania e da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf).

A Associação de Futebol do Catar já havia sido acusada de subornar representantes da Fifa para poder sediar o torneio em 2022. O país desbancou as candidaturas dos EUA, do Japão, da Austrália e da Coreia do Sul.

Segundo o jornal britânico, Bin Hamman recusou-se a responder as acusações, enquanto integrantes do comitê da candidatura do Catar negaram qualquer ligação com o ex-dirigente, alegando que ele não teria desempenhado qualquer papel na campanha do país para ser sede da Copa. Bin Hamman deixou o comitê executivo da Fifa após ter seu nome envolvido num escândalo de corrupção em sua campanha à presidência da entidade, em 2011.

Distribuição de propinas
O The Sunday Times afirma que Bin Hammam usou dez diferentes fundos secretos controlados por sua empresa privada, além de repasses em dinheiro, para realizar vários pagamentos de até 200 mil dólares em contas controladas por presidentes de 30 associações africanas de futebol – os quais exerceram influência sobre os votos dos quatro membros executivos do continente.

Os documentos usados como fonte pelos jornalistas provariam que o cartola catariano ainda pagou ao menos 415 mil dólares em honorários de advogados para Reynald Temarii, depois de ele ter sido suspenso por revelar a jornalistas que teria recebido uma oferta de 12 milhões de dólares por seu voto. O dinheiro teria sido usado para reverter a suspensão e evitar que Temarii votasse na Austrália.

Bin Hammam ainda teria destinado mais de 1,6 milhão de dólares a contas bancárias controladas por Warner, incluindo 450 mil dólares pagos antes da votação. Em junho de 2011, Warner abandonou suas atividades no futebol, incluindo 28 anos no comitê executivo da Fifa, para escapar das investigações sobre corrupção na campanha de Hammam para a presidência da entidade.

Outros 800 mil dólares teriam sido pagos à Associação de Futebol da Costa do Marfim, cujo membro executivo, Jacques Anouma, teria concordado em "impulsionar a campanha do Catar".

Possibilidade de nova eleição
Atualmente, uma comissão da Fifa investiga as acusações de corrupção relacionadas à escolha do Catar. Um relatório da comissão sobre o caso deve ser entregue no fim deste ano. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o alemão Theo Zwanziger, membro do comitê executivo, considera que haja uma nova eleição para escolha da sede em 2022.

Recentemente, o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, fez declarações classificando a escolha do emirado árabe para sediar a Copa como um "erro", referindo-se apenas, porém, às condições climáticas do país, que apresenta calor extremo em junho e julho.

  • Edição Carlos Albuquerque