Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Em sua 4ª edição, Marcha das Vadias protesta contra sexo sem consentimento

Sociedade

São Paulo

Em sua 4ª edição, Marcha das Vadias protesta contra sexo sem consentimento

por Agência Brasil publicado 24/05/2014 16h45, última modificação 24/05/2014 16h57
Algumas manifestantes usavam uniformes de jogadores de futebol e questionavam os gastos para a realização da Copa do Mundo no Brasil
Kelsen Fernandes / Fotos Públicas
marcha_das_vadias_201405242014_0014-1024x682.jpg

Manifestação condenou a violência sexual

Por Bruno Bocchini

Em sua quarta edição, a Marcha das Vadias, em São Paulo, teve como tema “Sexo sem consentimento é estupro”. A manifestação ocorreu no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e teve como itinerário descer a rua Augusta, no centro da capital, em passeata até a praça Roosevelt, ao lado da Igreja da Consolação.

Na concentração, centenas de manifestantes portavam cartazes com dizeres como “Meu corpo me pertence”, “Não saí da sua costela, você que saiu do meu útero” e “Não é não”.

“Em violência sexual, quem cala não consente. O consentimento tem de ser explícito; se não existir, é estupro. Muitas vezes, as mulheres se calam por medo, ela está atemorizada, teme que aconteça uma violência ainda maior. Ou porque aquilo está sendo cometido por uma pessoa que ela confia muito, que é da família dela, que às vezes é o marido dela, é o namorado”, disse Patrícia Diniz, uma das organizadoras do ato.

Segundo dados divulgados pelas organizadoras da marcha, 64% dos estupros ocorrem na casa da vítima e apenas 18% em vias públicas. E apenas 30% dos crimes são praticados por desconhecidos.

“Ela não quer fazer sexo, ela não quer fazer determinada prática sexual, mas acontece aquilo porque ela não disse não claramente. A gente quer também que os homens se eduquem e percebam quando eles podem agir”, disse Patrícia Diniz.

Algumas manifestantes usavam uniformes de jogadores de futebol e questionavam os gastos para a realização da Copa do Mundo no Brasil. “Para a Copa são destinados milhões. Mas para o combate à violência contra a mulher não há recursos”, observou a ativista Lícia Ferreira.

Atendimento. Em São Paulo, o Hospital Pérola Byington é referência para o atendimento a vítimas de violência sexual. No local, é possível fazer exame de corpo de delito e receber cuidados médicos e assistência jurídica. É possível também buscar orientação pelo Disque Mulher 180, do governo federal, além da Delegacia de Defesa da Mulher.

A marcha teve início em 2011, no Canadá, quando um policial disse às estudantes da Universidade de Toronto que para se proteger de uma onda de violência sexual, as mulheres deveriam não se vestir como vadias. Três mil pessoas tomaram as ruas da cidade em um manifesto denominado SlutWalk, no Brasil conhecido como Marcha das Vadias.

*Publicado originalmente na Agência Brasil